Roda de Conversa na USP Piracicaba: Esalq Abre Diálogo sobre Barreiras Atuais Enfrentadas por Mulheres na Academia e Sociedade
Iniciativa gratuita da Esalq, em 6 de março, convida homens e mulheres a debaterem desafios cotidianos, assédio e a busca por apoio, impulsionada pelo grupo Sustenta Gênero.
A Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, sediará no próximo dia 6 de março uma roda de conversa crucial com o tema “Quais barreiras enfrentadas pelas mulheres?”. O evento, que marca sua segunda edição, ocorrerá no Auditório do Pavilhão de Ciências Humanas, das 13h30 às 17 horas, e é uma organização da professora Nathalia Cristina Costa do Nascimento, do Departamento de Ciências Florestais da Esalq. Aberto à comunidade USP e ao público externo, o encontro não exige inscrição prévia, convidando a todos para uma reflexão profunda sobre os desafios femininos na atualidade.
Um Espaço de Escuta e Apoio
A inspiração para o evento surgiu do grupo Sustenta Gênero, parte do Laboratório de Educação e Política Ambiental (OCA), do Departamento de Ciências Florestais da Esalq. Criado pelo professor sênior Marcos Sorrentino e coordenado pela professora Nathalia Nascimento, o grupo é um espaço exclusivo para mulheres. Ele promove encontros quinzenais na Esalq, funcionando como uma rede de apoio essencial para situações de violência e assédio. “Sabe quando você sofre uma violência, um assédio e você não tem com quem conversar? Você fica com medo de ser julgada, fica se sentindo sozinha. Esse grupo é para isso”, explica Nathalia. Com o acompanhamento de uma psicóloga, o Sustenta Gênero acolhe alunas, servidoras e mulheres de fora da comunidade USP que buscam um lugar seguro para desabafar. A mestranda Ellen Mirosevic, orientanda da professora Nathalia, revela que o tema da roda de conversa emergiu das próprias narrativas do grupo, onde as participantes compartilham as barreiras e dificuldades diárias enfrentadas por serem mulheres em diversos ambientes.
Vozes que Inspiram Transformação
Para enriquecer o debate, a iniciativa contará com a participação de figuras engajadas na causa. Karina Sabedot, psicóloga clínica e jurídica, além de defensora pública em Piracicaba, acompanha a ação desde o ano passado, trazendo sua expertise em questões de gênero. Juntamente a ela, Savana Fernandes, que atua na Secretaria Municipal de Agricultura em Piracicaba e coordena a Associação Comunitária, Cultural, Educacional e Política Casa do Hip Hop, contribuirá com sua vasta experiência. “A Savana vem para participar dessa mesa, trazendo toda essa carga de experiências que ela tem, como mulher negra, como mãe, como avó, e as dificuldades que ela tem enfrentado no serviço público, na produção de alimentos”, ressalta a professora Nathalia, destacando a importância de diversas perspectivas.
Além do Dia Internacional da Mulher: Engajamento Ampliado
Próximo à celebração do 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, a professora Nathalia enfatiza a relevância do momento: “É um momento em que a sociedade se abre para olhar com mais atenção as diferentes formas de violência”. A proposta é criar um ambiente para compartilhar e ouvir experiências tanto das palestrantes quanto do público. Um aspecto fundamental desta edição é a abertura do encontro à participação de homens. “A gente percebe que não adianta mais ficarmos só entre nós falando de machismo, misoginia”, justifica a organizadora, salientando a necessidade de um diálogo inclusivo para promover mudanças efetivas na sociedade. A roda de conversa se configura, assim, como um convite à reflexão coletiva sobre a construção de um ambiente mais equitativo e livre de preconceitos.
Fonte: jornal.usp.br


