Cientista da USP, Paulo Artaxo, Conquista Prêmio Internacional ‘Planet Earth Award’ por Quatro Décadas de Dedicação à Amazônia e Ciência Climática
Reconhecimento da Alliance of World Scientists destaca o legado do físico brasileiro em elucidar a conexão entre a floresta amazônica e o clima global, evidenciando a excelência da pesquisa nacional.
O professor Paulo Artaxo, renomado físico do Instituto de Física (IF) da Universidade de São Paulo (USP), foi agraciado com o prestigiado Planet Earth Award 2026, concedido pela Alliance of World Scientists (AWS). A distinção honra líderes científicos que, ao longo de suas carreiras, demonstram excelência acadêmica, engajamento público e contribuições efetivas para enfrentar a crise ambiental global. O prêmio reconhece quatro décadas de pesquisa de Artaxo dedicadas à ciência climática e à compreensão do papel vital da Amazônia no sistema terrestre.
Reconhecimento Internacional para a Ciência Brasileira
Neste ano, o Brasil teve um destaque notável, com dois representantes entre os sete laureados. Além de Artaxo, a ecóloga Luisa Maria Diele-Viegas também foi homenageada por seu trabalho que integra ciência climática, conservação da biodiversidade e justiça social, com foco em ecossistemas ameaçados e na fusão do conhecimento científico com o tradicional.
O Planet Earth Award é um reconhecimento para indivíduos que atuam em defesa da vida na Terra, valorizando a criatividade e as contribuições excepcionais tanto na produção científica quanto na promoção de ações e posições baseadas em evidências. A premiação enaltece trajetórias que combinam rigor acadêmico e compromisso público, dialogando com a sociedade, formuladores de políticas e outros grupos engajados na busca por soluções para os desafios ambientais contemporâneos.
Ao comentar o prêmio, Artaxo expressou ao Jornal da Ciência o orgulho pelo reconhecimento internacional da produção científica brasileira. “É muito bom ver a ciência brasileira sendo reconhecida internacionalmente, particularmente por instituições como a AWS. Basicamente, são mais de 27 mil pesquisadores de mais de 180 países que representam uma grande parte da pesquisa em termos de sustentabilidade ambiental e climática do nosso planeta. Então, é um motivo de orgulho para o Brasil ganhar dois prêmios este ano — e note que fomos muito mais premiados que a maioria dos países que investem muito mais em ciência e tecnologia do que nós, o que mostra que de fato temos a oportunidade de fazer o nosso país brilhar na ciência se tivermos recursos adequados para isso”, afirmou o físico.
Quatro Décadas de Pesquisas Pioneiras na Amazônia
Reconhecido como uma das principais referências internacionais em física aplicada a problemas ambientais, Paulo Artaxo dedicou 40 anos à investigação dos processos que conectam a floresta amazônica ao clima regional e global. Seus estudos pioneiros sobre aerossóis atmosféricos, emissões biogênicas da vegetação e forçamento radiativo foram cruciais para elucidar como as florestas tropicais influenciam o ciclo hidrológico, a formação de núcleos de condensação de nuvens e o balanço energético do planeta.
O comitê do prêmio destacou em comunicado oficial: “Ele dedicou quatro décadas a iluminar as profundas conexões entre a floresta amazônica e o sistema climático global. Seu trabalho pioneiro aprofundou a compreensão de como as florestas tropicais regulam os processos planetários. Como cientista líder e autor do IPCC, ele exemplifica a pesquisa rigorosa e globalmente engajada que o prêmio foi criado para reconhecer.”
Artaxo foi autor principal dos três últimos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) — AR4, AR5 e AR6 —, entidade que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2007. Ele é membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC), da The World Academy of Sciences (TWAS) e fellow da American Association for the Advancement of Science (AAAS). O físico também coordena o Programa de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais da Fapesp, dirige o Centro de Estudos da Amazônia Sustentável da USP e integra o Comitê Gestor do Fundo Amazônia.
Outros Homenageados Globais
Entre os demais laureados deste ano, estão nomes de destaque internacional: os americanos Edward Barbier, economista ambiental, Dominick DellaSala, ecologista florestal, e Susan M. Natali, pesquisadora focada nos impactos do degelo do permafrost no Ártico; a polonesa Katarzyna Nowak, especialista em conservação e proteção de ecossistemas; e o canadense Andrew J. Weaver, climatologista e ex-líder do Partido Verde na Colúmbia Britânica.
Fonte: jornal.usp.br


