Carnaval de Rua em Tensão: Raquel Rolnik Critica Corporativização e Defende Espontaneidade Comunitária para o Futuro da Folia em São Paulo
Professora da USP aponta o choque entre a festa popular auto-organizada e os megaeventos patrocinados como a raiz dos conflitos, propondo um modelo descentralizado para 2027.
O Carnaval recente em São Paulo expôs uma crescente tensão: a disputa entre a espontaneidade da festa popular e a pressão de interesses econômicos. Segundo a professora Raquel Rolnik, da Universidade de São Paulo (USP), não se pode permitir que uma celebração nascida da população se transforme em um megaevento corporativo, cujo foco principal é o lucro.
A Essência do Conflito: Blocos de Rua vs. Megaeventos
A raiz dos episódios de atrito vivenciados durante a Festa de Momo na capital paulista reside, na análise de Rolnik, na diferença fundamental entre o Carnaval de rua, organizado pelos próprios foliões, e a tentativa de “domesticá-lo” aos ditames do mercado. De um lado, estão os blocos auto-organizados, enraizados em bairros, com história, marcados pela espontaneidade, pelo caráter comunitário e pela ocupação transgressora das ruas.
O Impacto da Economia na Festa Popular
À medida que essa manifestação cultural atrai mais pessoas – incluindo turistas – para aproveitar a cidade, ela se vê confrontada com a lógica de um “mega evento corporativo”. Aqui, a prioridade é a “grana que vai rolar”, o lucro para corporações e patrocinadores envolvidos, desvirtuando o elemento central da folia: a auto-ocupação da cidade pelos corpos em festa.
Um Carnaval Possível para o Futuro
Diante do que ela descreve como a “debacle” do Carnaval de 2026 – e a necessidade de repensar o modelo para o futuro –, Raquel Rolnik defende que um Carnaval “totalmente descentralizado, tranquilo, que apoie as iniciativas dos blocos, é um Carnaval totalmente possível”. Para a especialista, essa deveria ser a aspiração para a celebração de 2027, garantindo que a alegria e a cultura popular não sejam subjugadas por interesses puramente comerciais.
A análise de Raquel Rolnik é apresentada em sua coluna “Cidade para Todos”, veiculada quinzenalmente na Rádio USP e também no Youtube, com produção conjunta da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
Fonte: jornal.usp.br
