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William Bonner na USP: De Calouro à TV Globo, o Âncora Compartilha Dicas Essenciais de Carreira e Networking para Estudantes de Comunicação da ECA

O renomado jornalista William Bonner, egresso da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, retornou à sua alma mater na última segunda-feira, dia 23 de fevereiro, para um encontro inspirador com os calouros de Comunicação. A palestra, que integrou a Semana de Recepção aos Calouros da ECA e foi mediada pela professora Clotilde Perez, diretora da escola, contou também com a presença do reitor da USP, professor Aluisio Augusto Cotrim Segurado. Entre relatos cativantes sobre sua carreira e lembranças dos tempos de estudante de Publicidade e Propaganda na USP, Bonner deu dicas valiosas sobre como aproveitar a universidade, enfatizando que “a rede de relacionamentos que você constrói aqui pode facilitar sua inserção ou realocação no mercado de trabalho”.

A Trajetória Imprevisível: Da Publicidade ao Telejornal

Bonner revelou que sua entrada no jornalismo, apesar de ser um estudante de Publicidade, foi quase acidental e totalmente impulsionada por conexões. Amigos do curso de Rádio e TV o convidaram para ser locutor de um programa na Rádio USP, atraídos por sua voz grave. Foi no estúdio da ECA que o então diretor da Rádio USP, Mário Fanucchi, o notou, pedindo um registro de sua voz e o convidando para iniciar sua carreira. Poucos meses depois, ainda em 1985, Eliana Sanches, colega de Jornalismo, o chamou para a TV Bandeirantes. Bonner relembrou, com humor, ter se tornado “locutor do programa menos visto da história da televisão brasileira”, o 8 e Meia, que competia com a novela Roque Santeiro da TV Globo.

No ano seguinte, após trocar os óculos por lentes de contato, ele passou no teste para apresentar um telejornal local em São Paulo. Um impasse sindical, por não ser um jornalista formal, o levou a iniciar um curso profissionalizante no Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial). Com as aulas em Guarulhos no mesmo horário do telejornal, a diretora de Jornalismo da emissora, Silvia Jafet, resolveu a situação, remanejando-o para o Jornal de Amanhã, que alcançava rede nacional. Foi nesse período que Lou de Oliveira e seu marido, o então diretor da TV Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho (Boni), o viram na televisão, culminando em seu convite para a emissora. Aos 21 anos, Bonner já estava na Globo, ganhando o apelido de “Fraldinha”. “Você imagina a irresponsabilidade da Globo, na década de 1980, em botar um cara de 21 anos, com um paletozinho, uma gravatinha, apresentando o SPTV. Pois eles fizeram isso”, disse o jornalista.

O Poder do Networking e a Experiência Universitária

A história de Bonner é um testemunho vivo do que ele defende: a importância dos relacionamentos. “Não menospresem a importância dos relacionamentos, das conexões. Isso vale para tudo na vida de vocês”, aconselhou enfaticamente aos estudantes. Sua própria trajetória, marcada por convites de colegas e a descoberta por figuras-chave da mídia, ilustra essa premissa. Ele citou como exemplo o professor da ECA José Coelho Sobrinho, lembrando o dia em que Coelho afirmou que naquela sala estavam “os mais bem-sucedidos profissionais da próxima geração”. Bonner, o “intruso da Propaganda”, se viu entre colegas como Aluízio Falcão Filho, que trouxe a revista Forbes para o Brasil e foi diretor do jornal Valor Econômico, e Andrew Greenlees, “um dos maiores profissionais de assessoria de imprensa no Brasil”.

O jornalista também enalteceu a convivência entre estudantes dos diferentes cursos da USP. “Essa é a verdadeira experiência universitária”, ressaltou, destacando a integração do conhecimento predominante na Cidade Universitária e a singularidade de “estar num campus como esse”.

Reconhecimento e os Desafios Atuais do Jornalismo

A recepção calorosa dos calouros emocionou Bonner, que a considerou “muito bem-vinda” em um período desafiador para a profissão. Ele fez questão de dividir os aplausos com seus colegas, abordando a difícil realidade do jornalismo na atualidade. “A nossa categoria tem ‘apanhado’ sistematicamente. É um ataque deflagrado por extremistas de todos os lados para que sejamos todos desacreditados”, desabafou o jornalista, sublinhando a importância do reconhecimento e da defesa da categoria frente ao extremismo político surgido no País nos últimos anos.

A USP e o Legado da ECA: Inspiração para o Futuro

Além da palestra, a agenda de William Bonner na USP incluiu um encontro na Reitoria com o reitor Aluisio Augusto Cotrim Segurado e a vice-reitora Liedi Légi Bariani Bernucci. Em seguida, ele gravou um depoimento para a série Memórias Ecanas, coordenada pelo professor Paulo Nassar, que compila registros históricos de egressos da ECA. O reitor Segurado destacou a simbologia da visita de Bonner no primeiro dia dos ingressantes. “Para nós, que estamos há anos aqui na Universidade, este é o dia mais feliz do ano, um dia de festa, um dia de brilho nos olhos, quando temos a alegria de receber mais de 11 mil ingressantes, sendo quase 500 na ECA, neste ano em especial, coincidindo com a comemoração extra de 60 anos desta escola, que traz uma tradição e um legado, uma visão de futuro e uma compreensão da sociedade no momento presente”, declarou.

O reitor concluiu que “o ano não poderia começar melhor aqui na ECA com a vinda de alguém que representa como ninguém o que esta escola pode fazer na formação de comunicadores para o Brasil”. Ele reforçou que “esta aula inaugural certamente vai inspirar muito a todos, pois, como costumam dizer aqui, não existem ex-alunos, mas sim alunos que passaram aqui e construíram uma vida de êxito”.

Fonte: jornal.usp.br

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