De Niterói a Milão: A Fascinante Criação da Fantasia de R$ 500 mil de Juliana Paes para a Viradouro

A União do Samba com a Alta-Costura Internacional

O Carnaval do Rio de Janeiro de 2026 entrará para a história não apenas pelo título da Unidos do Viradouro, mas pela fusão espetacular entre a energia do samba e o glamour da moda internacional. No centro dessa narrativa está a atriz Juliana Paes, que retornou com maestria ao posto de rainha de bateria da agremiação campeã de Niterói. A fantasia que ela vestiu, uma obra de arte avaliada em R$ 500 mil, é fruto de uma colaboração única entre o barracão da escola e os ateliês da renomada grife italiana Dolce & Gabbana, orquestrada pelo stylist Yan Accioli.

O Conceito: Realeza Literal e Opulência Tradicional

Diferentemente de figurinos que apostam em brilhos abstratos, a criação para Juliana Paes foi concebida para dialogar diretamente com a história da escola e o enredo. “A rainha tem esse papel de conduzir e orquestrar a bateria. Seu look, em hipótese nenhuma, pode destoar da história”, explica Yan Accioli. A inspiração foi clara: a atriz deveria encarnar uma rainha em seu sentido mais literal, emanando imponência, luxo e uma estética de realeza. A parceria com a Dolce & Gabbana se mostrou perfeita para traduzir esse briefing de opulência e tradição, elevando o desfile a um evento de alta-costura a céu aberto.

Logística e Execução: Um Intercâmbio Cultural de Luxo

A criação da fantasia foi um verdadeiro intercâmbio cultural. Enquanto o barracão da Viradouro se encarregou da engenharia, com moldes de ferragem, sutiã e estrutura de cabeça feitos sob medida para a atriz, o acabamento foi digno dos tapetes vermelhos europeus. Os moldes foram enviados para Milão, onde a equipe da Dolce & Gabbana aplicou os detalhes. Em janeiro, os designers italianos acamparam no barracão da Viradouro, supervisionando cerca de 250 horas de trabalho manual. Cristais Swarovski foram aplicados um a um, bordados à mão, sem o uso de cola quente, para garantir a autenticidade da alta-costura. O veludo é italiano de altíssima qualidade, e as penas, doadas pela própria escola, são de reuso.

Conforto e Adaptação: A Essência do Carnaval no Detalhe

Apesar do luxo extremo, o conforto e a performance de Juliana Paes foram prioridades. A atriz, com sua vasta experiência na avenida, participou de cada detalhe ergonômico. Um item especial adicionou peso histórico à fantasia: um cetro alugado pela Dolce & Gabbana, proveniente de um antiquário europeu especializado em peças de nobreza e igrejas antigas. Mesmo com meses de planejamento, o espírito de improviso do Carnaval se fez presente. A capa, inicialmente fixa, tornou-se removível faltando apenas 72 horas para o desfile, após um ensaio revelar o risco de enroscar nos canhões do carro alegórico. A solução rápida e criativa garantiu a segurança e a fluidez da apresentação.

A Emoção da Vitória e o Legado da Rainha

Para Yan Accioli, o título da Viradouro em 2026 é a coroação de um processo em que a única exigência de Juliana Paes era a diversão. Ver a atriz, carinhosamente chamada de “Rainha do Niterói”, ao lado do Mestre Ciça, foi o ápice de uma carreira de duas décadas na Sapucaí. “A gente vê que a emoção ainda tem um lugar muito cativo nos desfiles e não existe Carnaval sem emoção”, reflete o stylist. A imagem da rainha desfilando ao lado do rei, e não à frente, simbolizou uma conexão profunda e marcante com a história e a comunidade da escola, reafirmando que, mesmo com toda a opulência e colaboração internacional, o coração do Carnaval reside na emoção e na celebração coletiva.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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