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Mulheres e a Passagem do Tempo: Lições de Vida, Carreira e Liderança de Ana Lanna e Ela Wiecko Inspiram a USP

A passagem do tempo, com suas marcas e ensinamentos, é um tema que ressoa profundamente na vida da professora Ester Gammardella Rizzi, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP. Em uma reflexão pessoal e instigante, ela explora as dinâmicas de suas relações, a inspiração que encontra em mulheres mais velhas e os desafios enfrentados por aquelas que trilham caminhos de destaque na academia e na política, tecendo uma narrativa rica em experiências e observações sobre a jornada feminina.

A Sabedoria das Gerações: Conexões Femininas e o Aprendizado do Tempo

Ester Gammardella Rizzi confessa uma predileção por conviver com mulheres mais velhas, em contraste com seu círculo íntimo atual, que, para sua surpresa, é majoritariamente masculino aos quarenta e poucos anos. Contudo, suas relações mais prazerosas e profundas, com pessoas de mais de sessenta e setenta anos, são repletas de figuras femininas que a admiram e inspiram. Mulheres como Ana Lanna, Claire Sekkel, Regina Gammardella, Ana Flávia D’Oliveira, Nilce Tranjan, Maria Alice Albarello, Helena Tieghi, Miriam Debieux e Ela Wiecko são citadas como fontes de sabedoria e companhia.

Para a professora, essas mulheres representam um vasto “repertório de possibilidades” de como ela mesma pode e quer ser nos próximos anos. Gostar de saber de suas vidas, de suas opções, dos planos futuros, das angústias e de como construíram o presente é uma forma de aprendizado contínuo, uma bússola para navegar as próprias décadas que virão. A troca de experiências e a cumplicidade nessas relações se mostram um pilar fundamental para a compreensão da complexidade da existência feminina.

Ensinamentos do Tempo: Desapego e a Percepção da Longevidade

A reflexão sobre o tempo ganhou um contorno especial em uma aula de Direito Constitucional, no dia 26 de novembro de 2025, na EACH. Após a morte de José Afonso da Silva, renomado constitucionalista e pai de Virgílio Afonso da Silva, cujo livro era adotado na disciplina, a professora decidiu homenageá-lo. Ela exibiu o curta-metragem “O defensor de Catilina”, onde José Afonso, aos 100 anos, demonstra um desapego surpreendente ao arrumar seu escritório, jogando muitas coisas fora e afirmando sobre um projeto inacabado: “isso já não dá mais tempo”.

Esse momento se tornou um ensinamento sobre a passagem do tempo. Rizzi compartilhou com seus alunos a dificuldade de se ensinar (ou aprender) o tempo sem que ele efetivamente passe. Contudo, ela observa que, ao ouvir e observar pessoas mais velhas, é possível intuir e refletir. A professora percebe que, aos 42 anos, não somos tão diferentes do que éramos aos 20 em desejos, angústias e dúvidas, embora a segurança que transparecemos possa ser uma performance, uma verdade provisória. A constatação de que sua monografia de 2002 era mais antiga que a maioria de seus alunos foi um choque pessoal, um lembrete vívido da velocidade com que o tempo se manifesta.

Mulheres na Gestão e Liderança: Conciliando Trajetórias e Desafios

A complexidade da vida profissional feminina se manifesta na trajetória de Ana Lanna, uma das mulheres que inspiram a professora Ester. Em 27 de novembro de 2025, Ana Lanna foi a segunda candidata mais votada para compor a lista tríplice para a Reitoria da USP. Sua vida, marcada pela criação de três filhos, uma separação recente e uma dedicação intensa à excelência acadêmica, à política e à gestão universitária, levanta a questão de como é possível conciliar tantas frentes.

A professora Rizzi observa um fenômeno comum entre as mulheres que encontrou na administração universitária e em esferas governamentais: muitas são separadas ou nunca constituíram uma família tradicional. Essa constatação, corroborada por sua irmã que atua em Brasília, sugere um padrão de escolhas e sacrifícios que muitas mulheres em posições de destaque enfrentam para se dedicarem plenamente às suas carreiras.

Carreira e Vida Afetiva: A Escolha de Viver Além das Convenções

Outra figura inspiradora é Ela Wiecko, com quem Ester Rizzi teve o prazer de dividir um quarto em um Fórum Internacional de Direitos Humanos no Rio Grande. Ela Wiecko, que a professora já admirava desde o início dos anos 2000 por sua atuação na Reforma do Sistema de Justiça, tornou-se uma colega em posição de igualdade. A trajetória de Ela inclui duas candidaturas ao cargo de Procurador-Geral da República, em 2011 e 2013, onde, apesar de ser uma das mais votadas, não foi indicada.

Durante uma caminhada matinal, Ela Wiecko e seu marido, Manuel, um juiz Federal aposentado, compartilharam um aspecto notável de suas vidas: moraram separados “a vida toda” devido às suas carreiras, só passando a viver juntos após suas aposentadorias compulsórias. Questionados se a vida em várias cidades não era cansativa, responderam com risos: “Um pouco cansativa é agora”. Essa revelação destaca uma forma não convencional de conciliar vida afetiva e profissional, desafiando a ideia de que o sucesso exige uma “esposa” que cuide de todo o resto. As histórias dessas mulheres, sem soluções simplistas, revelam a riqueza e a resiliência de quem busca excelência e propósito, moldando o futuro com dedicação e escolhas corajosas.

Fonte: jornal.usp.br

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