Relatório “Olympics Torched” Revela Impacto Climático Alarmante
Um novo e contundente relatório, intitulado “Olympics Torched” e publicado pelas organizações Scientists for Global Responsibility e New Weather Institute, lança um alerta sobre o impacto ambiental dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, que serão sediados em Milão e Cortina, na Itália. Segundo os investigadores, os Jogos em si deverão gerar cerca de 930.000 toneladas de emissões de dióxido de carbono (CO2). No entanto, a preocupação maior reside nos acordos de patrocínio: apenas três deles, de empresas de alta emissão de carbono, são previstos para adicionar mais de 1,3 milhão de toneladas de CO2, elevando a pegada de carbono total em quase duas vezes e meia.
Gigantes Poluentes Identificados como Principais Vilões
As empresas apontadas como as principais responsáveis por esse aumento significativo nas emissões são a gigante do petróleo e gás Eni, o grupo automobilístico Stellantis e a companhia aérea italiana ITA Airways. A Eni, em particular, é responsável por mais da metade das emissões adicionais previstas. Stuart Parkinson, diretor da Scientists for Global Responsibility, destacou a contradição: “Mesmo sem a crescente montanha de provas científicas sobre o impacto do aquecimento global nos desportos de inverno, é claro para quem visita montanhas reais que se está a perder cobertura de neve e os glaciares estão a derreter.” Ele acrescenta que os próprios desportos de inverno contribuem para o problema, tanto diretamente quanto ao promoverem grandes poluidores através de publicidade e patrocínios.
O Futuro dos Esportes de Inverno em Risco
O relatório sugere medidas drásticas para mitigar o impacto ambiental, como o fim dos acordos de patrocínio com empresas de alta intensidade carbónica, a proibição da construção de novas infraestruturas e a redução significativa do número de espectadores viajando de avião. O esquiador de fundo sueco Björn Sandström ressalta a importância do sinal que os Jogos enviam ao mundo: “Quando esse sinal é moldado por patrocínios de combustíveis fósseis, contradiz diretamente a ciência climática e ameaça o futuro do desporto de inverno.” A biatleta groenlandesa Ukalew Slettermark, olímpica de inverno, considera “injustificável” que os esportes de inverno ofereçam uma plataforma para empresas de combustíveis fósseis se apresentarem como contribuintes positivos, quando na verdade são os maiores causadores das mudanças climáticas que ameaçam o próprio esporte.
Apelo por Patrocínios Sustentáveis e Mudança de Rota
A crise climática já é visível nas montanhas, com a perda de cobertura de neve e o derretimento de glaciares, afetando diretamente a prática dos esportes de inverno. O relatório “Olympics Torched” não apenas documenta o problema, mas também propõe soluções concretas. A saída da indústria de combustíveis fósseis como patrocinadora é vista como um passo crucial para alinhar os Jogos Olímpicos de Inverno com a urgência climática e garantir a viabilidade do esporte para as futuras gerações. O Comitê Olímpico Internacional foi contatado pela Euronews Green para comentar o assunto.
Fonte: pt.euronews.com
