Pesquisador da USP Ganha Prêmio Internacional por Desvendar Lado Oculto da Mioglobina e Abrir Caminhos para Novas Terapias

Thiago Gomes, doutorando do Instituto de Química (IQ) da Universidade de São Paulo (USP), foi o grande vencedor de um prestigiado prêmio internacional de bioquímica. O reconhecimento veio por seu trabalho pioneiro que desvendou uma nova e surpreendente função da mioglobina, a proteína bem conhecida por seu papel vital no armazenamento e transporte de oxigênio nos músculos.

A pesquisa, desenvolvida nos laboratórios do IQ, revelou um “lado oculto” da mioglobina: sua capacidade de gerar espécies oxidantes que podem ser prejudiciais ao organismo. Contudo, o estudo também identificou “moléculas protetoras”, chamadas quenchers, capazes de prevenir esses danos. Essa descoberta robusta na ciência básica abre novos horizontes para o desenvolvimento de futuros medicamentos e tratamentos médicos.

Uma Parceria de Sucesso e Descobertas Inesperadas

Gomes tem se dedicado a este projeto desde sua iniciação científica, realizada sob a orientação do professor Etelvino Bechara, também do IQ e seu atual orientador de doutorado. A colaboração teve início em 2020, quando o estudante manifestou interesse em bioluminescência e foi apresentado a Bechara, um renomado pesquisador no campo da excitação química eletrônica em meios biológicos. O trabalho foi apresentado no simpósio antes mesmo de ser publicado. “É um estudo completo; é muito robusto, e há evidências substanciais que apoiam nossa hipótese. Senti-me muito confiante em submetê-lo para concorrer aos prêmios”, relatou Gomes, que, apesar da confiança, foi pego de surpresa pela vitória. “Não esperava ganhar”, confessou o doutorando, destacando o alto nível da conferência e dos trabalhos apresentados.

A Mioglobina: Uma Faca de Dois Gumes

O estudo revelou que a mioglobina é capaz de gerar moléculas excitadas que podem interagir negativamente com o ambiente biológico. “É uma faca de dois gumes. Embora essencial para o metabolismo, ela [a mioglobina] também tem essa função de iniciar e propagar a geração de espécies oxidantes que são prejudiciais ao nosso corpo”, explicou o pesquisador. Essas espécies oxidantes foram responsáveis por causar danos à própria proteína, com possível perda de função. “Isso pode ter considerável relevância biológica, com o potencial de induzir danos a uma gama de biomoléculas”, detalhou Gomes.

Quenchers: As Moléculas Protetoras do Futuro

A grande inovação da pesquisa foi a identificação dos quenchers. Essas moléculas atuam como uma espécie de escudo, recebendo a energia da molécula excitada em vez de permitir que ela afete o DNA ou outras proteínas que seriam danificadas. Esse mecanismo de proteção abre portas para novas investigações, o desenvolvimento de fármacos e diferentes abordagens para tratamentos médicos.

Desenvolvidos no IQ, os estudos foram conduzidos em solução com uma reação isolada, o que significa que testes com células e animais ainda não foram realizados. “É um estudo preliminar em solução, que já abre portas para o possível papel e perigo de uma proteína tão importante como a mioglobina”, afirmou o doutorando. O artigo completo foi submetido à revista Luminescence – Wiley e atualmente está em processo de revisão, aguardando publicação.

Fonte: jornal.usp.br

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