Governo Italiano Revoga Autorizações de Resort de Ultraluxo “Tavolara Bay” Após Protestos Populares

Decisão Representa Vitória para Movimentos Ambientais e Populares na Sardenha

Em uma reviravolta significativa, o Governo italiano atendeu aos apelos da população e revogou as autorizações concedidas para o ambicioso projeto de ultraluxo “Tavolara Bay”, idealizado pelo grupo brasileiro JHSF. A decisão suspende a construção de um complexo hoteleiro, vilas, e um campo de golfe em uma área de 120 hectares na Sardenha, em frente à cênica Ilha de Tavolara. A medida surge como um triunfo para os moradores e comitês que se opuseram veementemente à iniciativa, argumentando em defesa do território e do meio ambiente.

Zonas Econômicas Especiais e Conflitos de Interesse Sob Escrutínio

A suspensão do empreendimento também coincide com a renúncia do secretário municipal de Turismo, Roberto Bianco, cujo irmão liderava o grupo de investidores do projeto. A área em Cala Finanza, que seria transformada pela Tavolara Bay Srl, não será mais uma Zona Econômica Especial (ZES). O ministro da Economia da Itália, Giancarlo Giorgetti, havia previamente declarado que o Estado não ofereceria incentivos a empresas com sede em paraísos fiscais, um ponto que pode ter influenciado a decisão final, considerando a estrutura acionária do projeto, que incluía entidades em diversas jurisdições offshore.

Detalhes do Projeto e a Estrutura do Investimento

O plano original do “Tavolara Bay” previa um hotel cinco estrelas, 26 vilas de luxo, áreas comerciais e de hospedagem, além de um campo de golfe de 18 buracos. O grupo de investidores era composto por uma mistura de capital italiano (13%), o grupo brasileiro JHSF (44%) e o grupo luxemburguês Csfg (43%), com participações distribuídas em paraísos fiscais. A revogação da autorização, concedida em fevereiro de 2026 através do mecanismo da ZES Única, que visa acelerar processos, demonstra a força da mobilização popular contra o projeto.

Declarações Oficiais e o Prevalecimento da Vontade Local

A presidente da Região da Sardenha, Alessandra Todde, celebrou a decisão, afirmando que “A Sardenha tinha razão. O Governo teve de se render aos fatos e dar um passo atrás, revogando as autorizações necessárias”. A governadora destacou que o respeito ao território e ao Plano Paisagístico Regional prevaleceu sobre um projeto que gerou dúvidas e forte oposição. A decisão do Departamento para o Sul da Presidência do Conselho de Ministros de revogar a permissão, especificamente para o projeto de glamping de luxo, reforça a vitória da comunidade local contra o desenvolvimento em larga escala.

Fonte: jornalitalia.com

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