Biotério de Ribeirão Preto está há sete décadas a serviço da ciência na USP

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"title": "Setenta Anos de Ciência: O Biotério da USP Ribeirão Preto, Fundado em 1953, é Pilar Essencial na Produção de Animais SPF para a Pesquisa Brasileira",
"subtitle": "Pouco conhecido fora da comunidade científica, o Serviço Técnico de Biotério da USP em Ribeirão Preto produz cerca de 30 mil animais por ano, garantindo a qualidade e a continuidade de pesquisas biomédicas e tecnológicas em todo o País.",
"content_html": "<h1>Setenta Anos de Ciência: O Biotério da USP Ribeirão Preto, Fundado em 1953, é Pilar Essencial na Produção de Animais SPF para a Pesquisa Brasileira</h1><h2>Pouco conhecido fora da comunidade científica, o Serviço Técnico de Biotério da USP em Ribeirão Preto produz cerca de 30 mil animais por ano, garantindo a qualidade e a continuidade de pesquisas biomédicas e tecnológicas em todo o País.</h2><p>Há sete décadas, uma estrutura fundamental opera silenciosamente no campus da USP em Ribeirão Preto, sustentando uma parte significativa da pesquisa científica brasileira. O Serviço Técnico de Biotério da Prefeitura do Campus da USP em Ribeirão Preto (PUSP-RP), criado em 1953, celebra sua história de inovação e dedicação, produzindo anualmente cerca de 30 mil ratos e camundongos essenciais para atividades de ensino e pesquisa.</p><p>Integrando a Rede de Biotérios da Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação da USP, a unidade serve não apenas pesquisadores do campus de Ribeirão Preto, mas também de São Paulo, Bauru, Pirassununga e São Carlos. Quando há disponibilidade, instituições externas como Fiocruz, Unesp e diversas universidades federais também são atendidas. Entre 2020 e 2024, mais de 133 mil animais foram fornecidos, com 93,9% destinados às unidades da USP em Ribeirão Preto, consolidando-o como o maior biotério de produção da USP em número de animais fornecidos.</p><h3>Um Pilar Essencial para a Pesquisa Nacional</h3><p>Para Rinaldo Bueno Ferreira, chefe técnico do Serviço, o impacto do biotério é inquestionável. "Sem a produção desses animais, uma quantidade enorme de pesquisadores e de pesquisas estaria prejudicada", afirma. A unidade mantém cinco linhagens de ratos e camundongos, utilizados como modelos biológicos em diversas áreas do conhecimento, desde a biomedicina e farmacologia até as ciências biológicas.</p><p>A história do Biotério reflete a própria evolução do campus de Ribeirão Preto. Inicialmente, foi estabelecido para atender às demandas da recém-fundada Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP). Com a expansão da Universidade e a criação de novas faculdades e programas de pós-graduação, o biotério ampliou sua capacidade e incorporou tecnologias avançadas. Um marco crucial foi a inauguração, em 2012, de um prédio dedicado exclusivamente à criação de animais com padrão sanitário controlado, elevando significativamente a qualidade da produção.</p><h3>Evolução e Padrão de Qualidade SPF</h3><p>A função primordial do Biotério vai além da simples criação: é fornecer modelos biológicos com rigorosos padrões sanitários, genéticos e ambientais controlados. Esse controle é vital para reduzir variáveis que possam comprometer a confiabilidade dos resultados científicos.</p><p>Desde 2012, ratos e camundongos são produzidos em uma estrutura de aproximadamente 1.300 metros quadrados, projetada com áreas separadas para produção, higienização e armazenamento. Equipada com sistemas de climatização, filtros HEPA, autoclaves e barreiras sanitárias, a edificação impede a entrada de agentes que possam comprometer a saúde das colônias. Os animais são classificados como SPF (Specific Pathogen Free), ou seja, livres de patógenos específicos que poderiam interferir nos experimentos. "O que ele [o pesquisador] tiver de resultado, ele pode confiar que está sendo resposta àquilo que ele está aplicando ao animal", explica Ferreira, ressaltando a confiabilidade que esse padrão oferece.</p><p>O monitoramento sanitário é contínuo, com animais sentinelas enviados periodicamente para análises laboratoriais. O acesso às áreas de produção é restrito, seguindo protocolos rigorosos para visitantes, incluindo períodos sem contato prévio com outros animais e o uso de vestimentas esterilizadas.</p><h3>Rotina Contínua e Bem-Estar Animal</h3><p>A produção de animais no Biotério exige uma rotina diária ininterrupta de manejo, monitoramento sanitário e controle ambiental. O médico-veterinário Alexandre Agrele de Melo detalha as tarefas semanais, que incluem a troca de caixas, substituição de forragens, água e ração, acompanhamento de nascimentos, desmames e organização de acasalamentos conforme as características de cada linhagem. A temperatura e umidade são continuamente monitoradas em microisoladores, e todo material que entra na área limpa passa por esterilização rigorosa.</p><p>O bem-estar animal é uma prioridade. Práticas como o enriquecimento ambiental, com a inclusão de materiais esterilizados nas caixas, estimulam comportamentos naturais e reduzem o estresse. "Eles ficam se divertindo, ficam brincando. Isso é para tirar um pouco do estresse do animal", explica Melo. É importante notar que a unidade não realiza experimentos; sua função é unicamente produzir e manter os animais para pesquisas aprovadas por comitês de ética. "É um lugar que não pode parar. Se parar, alguém terá prejuízo, no caso, a pesquisa", enfatiza o veterinário, destacando a natureza crítica do trabalho.</p><p>A equipe do Serviço Técnico de Biotério é composta por 21 servidores – médicos-veterinários, biólogo, técnicos e equipe administrativa – além de oito funcionários terceirizados para higienização. Eles também oferecem assessoria técnica a outros biotérios da USP e suporte a pesquisadores.</p><h3>Inovação e Expansão para o Futuro</h3><p>Além da produção animal, a unidade abriga um Laboratório de Monitoração Sanitária e um Laboratório de Criopreservação e Modificação Genômica. Neste último, são realizados procedimentos complexos como criopreservação de embriões, genotipagem e produção de linhagens transgênicas. Foi nesse laboratório que se produziu o primeiro camundongo knockout da USP, um modelo crucial para o estudo da função de genes e sua relação com doenças.</p><p>Nos últimos anos, o Biotério passou por um significativo processo de modernização. Um projeto aprovado pela Fapesp destinou R$ 2 milhões para a aquisição de equipamentos para a produção de animais SPF. A Reitoria da USP também investiu R$ 2,347 milhões na reforma das edificações, e há um projeto em andamento para a implantação de um sistema automatizado de controle de temperatura e umidade. Marisa de Castro Pereira, diretora da Divisão de Apoio ao Ensino e Pesquisa da Prefeitura do Campus, observa que esses investimentos refletem uma "evolução do pensamento em toda a Universidade em relação ao Biotério".</p><p>Mais de sete décadas após sua criação, o Biotério da USP em Ribeirão Preto continua a acompanhar a vanguarda da pesquisa. A combinação de controle sanitário rigoroso, infraestrutura especializada, equipe técnica dedicada e investimentos contínuos mantém a unidade como um dos pilares que sustentam a produção científica de excelência na USP e no Brasil. "Todos os processos estão sendo aprimorados. O Biotério não ficou para trás, ele está caminhando junto com a ciência", conclui Rinaldo Ferreira.</p>"
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Fonte: jornal.usp.br

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