ONU e USP Unem Forças em Relatório Crucial: Entenda a Gestão Sustentável da Areia, da ‘Areia Viva’ aos Desafios da Construção Civil no Brasil

A areia, um material granuloso de origem mineral composto principalmente por fragmentos de rochas e dióxido de silício, é um dos recursos mais consumidos do planeta, com uma produção e consumo estimados em 50 bilhões de toneladas por ano. Diante do impacto ambiental crescente de sua extração, um novo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), que conta com a coautoria do professor Luiz Enrique Sanchez, do Departamento de Engenharia de Minas e de Petróleo da Escola Politécnica da USP, propõe estratégias abrangentes para o uso sustentável desse mineral vital.

O documento, que reúne 24 recomendações para governos, empresas, instituições financeiras e organizações não governamentais, sublinha o papel crucial da areia na manutenção dos ecossistemas e a necessidade urgente de conciliar seu aproveitamento com a preservação ambiental.

O Papel Estratégico das Finanças na Cadeia da Areia

Uma das recomendações mais inovadoras do relatório destaca a atuação das instituições financeiras. Bancos e financiadores são chamados a desempenhar um papel estratégico ao considerar a origem da areia utilizada em grandes empreendimentos na concessão de crédito. Segundo o professor Sanchez, os mecanismos atuais para verificar a legalidade e a responsabilidade ambiental da extração são insuficientes. A adoção desses critérios pode ampliar significativamente a responsabilidade socioambiental em toda a cadeia da construção civil, incentivando práticas mais sustentáveis desde a base.

Areia Viva e Areia Morta: Uma Nova Perspectiva

Para enfatizar a multifuncionalidade da areia, o relatório introduz os conceitos de “areia viva” e “areia morta”. A “areia viva” refere-se ao material que permanece nos ecossistemas — como rios, praias e fundos marinhos —, onde desempenha funções essenciais para a biodiversidade e o equilíbrio ambiental. Em contraste, a “areia morta” é a areia já extraída e incorporada a atividades humanas, como obras e processos industriais. Para esta última, o documento incentiva o aproveitamento contínuo por meio da reciclagem de resíduos da construção e demolição, fortalecendo a economia circular e diminuindo a necessidade de novas extrações.

Desafios e Alternativas para o Brasil

No Brasil, a reciclagem de areia ainda enfrenta entraves técnicos e regulatórios, limitando seu alcance. Contudo, o relatório apresenta alternativas promissoras para aliviar a pressão sobre os depósitos naturais. Um exemplo citado é o reaproveitamento de rejeitos da mineração de ferro, que contêm areia silicosa e já estão sendo utilizados para suprir parte da demanda da construção civil. O professor Sanchez ressalta que não existe uma solução única, mas sim um conjunto de estratégias que devem ser adaptadas às características e necessidades de cada região, promovendo uma gestão mais inteligente e responsável desse recurso insubstituível.

Fonte: jornal.usp.br

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