Mito derrubado sobre o Ômega-3: Suplementos não garantem memória e cognição
Um novo estudo clínico lança luz sobre o uso de suplementos de ômega-3, como óleo de peixe e de algas, na prevenção de doenças como Alzheimer e demência. Contrariando expectativas, a pesquisa constatou que esses suplementos, por si só, não apresentaram melhorias significativas na memória, cognição ou na preservação de células cerebrais.
“Suplementos de ômega-3 usados como uma solução ineficaz não funcionam”, afirma Dr. Hussein Yassine, autor principal do estudo e professor da Universidade do Sul da Califórnia. Ele ressalta que, mesmo com a detecção de altos níveis de ômega-3 no cérebro dos participantes que tomaram os suplementos, a melhora na cognição não foi observada.
O que realmente funciona? Estilo de vida e dieta natural
A chave para otimizar a saúde cerebral, segundo Dr. Yassine, reside em um conjunto de fatores: exercícios físicos regulares, gestão do estresse, sono de qualidade e uma dieta predominantemente à base de plantas. A inclusão de ômega-3 proveniente de fontes alimentares como peixes gordos (salmão, sardinha), nozes e sementes é enfatizada.
“No Mediterrâneo, altos níveis de ômega-3 são fortes indicadores de boa cognição”, explica Yassine. Ele aponta que os habitantes dessa região não recorrem a suplementos, mas sim a um estilo de vida que inclui peixes gordos na dieta, atividade física, convívio social e um ritmo de vida menos estressante. Nesse contexto, o ômega-3 presente nos alimentos se destaca como um aliado do cérebro. No entanto, para quem segue uma dieta ocidental típica, rica em fast food, sedentária e sob constante estresse, o estudo sugere que o ômega-3 adicional no cérebro não faz diferença.
Ômega-3: Essencial, mas não um ‘remédio milagroso’ isolado
Dr. Richard Isaacson, pesquisador na área de prevenção do Alzheimer, concorda que os ômega-3 são cruciais para a saúde cerebral, especialmente para indivíduos com o gene APOE4, que aumenta o risco de Alzheimer. Contudo, ele reforça que o estudo indica que a suplementação pode não ser eficaz para pessoas que não priorizam um estilo de vida saudável.
A Organização Global para EPA e DHA Ômega-3 (GOED), representante da indústria, argumenta que o estudo deve ser analisado em conjunto com o “conjunto completo de evidências sobre ômega-3 e seus efeitos cognitivos”. A GOED cita outras pesquisas que apontam um efeito protetor da suplementação na progressão do Alzheimer e um volume considerável de literatura associando ômega-3 a resultados cognitivos positivos.
Entendendo os Ômega-3: Fontes e Funções
Os ácidos graxos ômega-3 são vitais para a saúde humana, contribuindo para a redução da pressão arterial, aumento do colesterol bom, manutenção da saúde celular e diminuição do risco de doenças como câncer e demência. Cerca de 35% das gorduras cerebrais são compostas por ômega-3, mas o corpo não os produz, sendo necessária a ingestão por meio de alimentos como salmão, cavala, sardinha, nozes, chia e linhaça.
O estudo em questão envolveu 365 pessoas, entre 55 e 80 anos, sem demência, mas com baixos níveis de ômega-3 e fatores de risco para a doença. Durante 24 meses, um grupo recebeu suplemento de ômega-3 à base de algas em alta dose, enquanto outro recebeu placebo. Apesar do aumento comprovado dos níveis de ômega-3 no cérebro dos suplementados, não houve melhorias na cognição ou no tamanho do hipocampo. Os resultados reforçam a ideia de que a suplementação, quando desassociada de um estilo de vida saudável, pode ser insuficiente, como uma “gota no oceano”.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
