Sem vontade política para Estreito de Ormuz
A União Europeia não demonstra vontade política para alterar o mandato da sua missão naval, a Operação Aspides, a fim de incluir o Estreito de Ormuz. A declaração foi feita pela Ministra dos Negócios Estrangeiros da Estônia, a alta representante da UE para a Política Externa, Kaja Kallas, após uma reunião ministerial em Bruxelas. A discussão ocorreu em meio a crescentes pressões dos Estados Unidos, com o presidente Donald Trump alertando a OTAN sobre um futuro incerto caso os aliados não ofereçam maior apoio a Washington.
Reforço da missão, mas não expansão do escopo
Embora tenha havido um debate sobre o possível reforço da Operação Aspides, criada em fevereiro de 2024 como uma operação defensiva para proteger a navegação internacional contra ataques de rebeldes Houthis no Mar Vermelho e áreas adjacentes, a ampliação do seu escopo para cobrir o Estreito de Ormuz não foi aceita pelos Estados-membros. Kallas explicou que a missão precisa de mais meios navais, mas a extensão do seu mandato para a estratégica via marítima foi rejeitada. “Ninguém quer entrar ativamente nesta guerra”, resumiu Kallas.
Impacto da guerra no Irã e a pressão de Trump
A reunião dos 27 ministros dos Negócios Estrangeiros da UE em Bruxelas abordou as consequências da guerra no Irã, que tem causado a maior perturbação no fornecimento mundial de petróleo da história e elevado os preços acima dos 100 dólares por barril. Donald Trump tem intensificado a pressão sobre a Europa para que contribua na proteção do Estreito de Ormuz, um ponto crucial para o transporte de petróleo. No entanto, o apelo de Trump parece ter tido pouco efeito.
Reservas de Alemanha, Romênia e Luxemburgo
Diversos países expressaram reservas quanto a uma maior participação na missão. O Ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, excluiu qualquer envolvimento da Alemanha. Sua contraparte romena, Oana-Silvia Toiu, indicou que Bucareste prefere focar nas suas capacidades navais no Mar Negro. O Ministro luxemburguês, Xavier Bettel, reforçou que a UE não está diretamente envolvida no conflito, oferecendo apoio logístico e de comunicação, mas não envio de tropas ou equipamentos militares.
Mandato atual da Aspides
A Operação Aspides visa proteger navios mercantes, garantir a liberdade de navegação e monitorar a situação marítima em uma vasta área que inclui o Mar Vermelho, o Golfo de Aden, o Mar Arábico, o Golfo de Omã, o Golfo Pérsico e, implicitamente, o Estreito de Ormuz, embora a atuação direta na área de conflito mais intensa não esteja no escopo do seu mandato expandido.
Fonte: pt.euronews.com
