Mosca Virtual “Ganha Vida”: Cientistas Criam Simulação de Cérebro Real em Corpo Digital Detalhado

Um marco na neurociência computacional

Cientistas da Eon Systems PBC desenvolveram uma simulação impressionante onde um cérebro virtual, baseado em um modelo real de mosca, ganha vida em um corpo digital. A pesquisa, que utiliza o projeto FlyWire connectome, emula cerca de 140 mil neurônios e aproximadamente 50 milhões de conexões sinápticas, operando com a arquitetura “integração e disparo com vazamento” (LIF). Essa inovação permite que o cérebro virtual interaja com um corpo digital detalhado, reconstruído a partir de microtomografia de raios-X de uma mosca real, com 87 articulações independentes.

Ciclo Fechado de Percepção e Ação

A simulação opera em um ciclo contínuo de 15 milisegundos, conectando o cérebro e o corpo digital em quatro etapas cruciais: percepção sensorial, processamento neural, comando motor e movimento físico. Este processo cria, de forma inédita em uma emulação cerebral completa, um ciclo fechado entre o que a mosca virtual percebe e como ela reage, aproximando-se da complexidade de um organismo vivo.

Interação Sensorial e Comportamentos Simulados

O cérebro virtual é capaz de processar diversos estímulos simulados. Por exemplo, substâncias como açúcar ativam receptores de paladar virtuais, desencadeando respostas alimentares, enquanto partículas de poeira ativam sensores nas antenas, levando a comportamentos de limpeza. O sistema visual, embora com impacto limitado nos movimentos, já demonstra a capacidade de ativar neurônios de fuga diante da aproximação de objetos virtuais.

Próximos Passos: Rumo a Cérebros de Mamíferos

Apesar das simplificações, como a ausência de estados internos (fome, aprendizado) e a necessidade de ajustes manuais no acoplamento cérebro-corpo, os pesquisadores consideram a demonstração um sucesso. O objetivo de longo prazo é escalar o projeto para organismos mais complexos, com o próximo alvo sendo a emulação do cérebro de um camundongo. A equipe acredita que, com o avanço da tecnologia e o acúmulo de dados neurais, a criação de emulações de cérebros de mamíferos e, eventualmente, humanos, pode se tornar uma “questão de escala, não de tipo”.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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