Mulheres na Ciência Brasileira: Aumento da Participação, Mas Baixo Impacto em Políticas Públicas

Avanço Notável, Mas Discrepância Persiste

A ciência brasileira tem visto um aumento significativo na participação feminina nos últimos anos. Dados de pesquisas da Bori indicam que, em 2022, as mulheres já representavam 49% dos autores de publicações científicas no Brasil, um crescimento notável em relação aos 38% registrados em 2002. Esse avanço coloca o país em uma posição de destaque global, sendo o terceiro com maior representação feminina na ciência, atrás apenas da Argentina e Portugal. No campo das áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), a participação feminina também cresceu, passando de 35% para 45% no mesmo período.

Estereótipos de Gênero e Áreas de Domínio

Apesar do progresso geral, os números por área do conhecimento ainda evidenciam estereótipos de gênero arraigados. Enquanto áreas como farmacologia, toxicologia, farmácia e psicologia registram mais de 60% de participação feminina (e enfermagem chega a 80%), as ciências exatas e tecnológicas apresentam índices consideravelmente menores. Em matemática, apenas 19% dos autores são mulheres; em computação, 21%; e em astronomia, 27%.

O Desafio da Influência em Políticas Públicas

Um dos achados mais preocupantes das pesquisas da Bori, em parceria com a plataforma Overton, é a discrepância na influência das pesquisas femininas em políticas públicas. Entre os 107 pesquisadores brasileiros cujos trabalhos foram analisados pelo governo e organizações internacionais, apenas 21,5% eram mulheres. Os cinco cientistas mais influentes nas tomadas de decisão no país, segundo o levantamento, são todos homens. Essa baixa representação em esferas de decisão limita o impacto social concreto do conhecimento produzido por mulheres.

Dupla Jornada e Sobrecarga: Barreiras à Liderança

Cientistas entrevistadas pela Bori apontam que a dupla ou tripla jornada de trabalho, somada a fatores culturais, ainda afasta pesquisadoras de posições de maior destaque. Ester Sabino, imunologista e membro da Academia Brasileira de Ciências, ressalta a importância de ampliar a presença feminina na liderança de grandes projetos científicos. Carolina Brito, professora de física, adiciona que as iniciativas de diversidade, embora necessárias, podem, paradoxalmente, sobrecarregar as poucas pesquisadoras mulheres em áreas sub-representadas, gerando ainda mais desafios em suas carreiras.

Fonte: super.abril.com.br

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