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Guerra no Oriente Médio expõe fragilidades do Brasil em combustíveis e fertilizantes apesar de ser grande produtor de petróleo

Vulnerabilidade na Refinaria e Dependência de Importação

A instabilidade gerada pela guerra no Oriente Médio, com a interrupção do fluxo comercial pelo Estreito de Ormuz, tem impactado diretamente a economia global, com o barril Brent disparando 27,2% em uma semana. Especialistas apontam que o Brasil, apesar de ser um dos dez maiores produtores de petróleo do mundo e ter a commodity como principal exportação, apresenta vulnerabilidades significativas no refino de combustíveis e na produção de fertilizantes.

O país produz petróleo em abundância, inclusive com características estratégicas de baixo enxofre e baixa emissão de carbono. No entanto, a capacidade de refino nacional não atende à demanda interna. Com 18 refinarias e uma capacidade instalada de 2,4 milhões de barris por dia (bpd), o Brasil consegue suprir apenas cerca de 70% da demanda de diesel e 85% da de gasolina, necessitando importar o restante. Essa dependência se reflete no aumento dos preços de paridade de importação, que já superam em até 23% os preços domésticos do diesel e 18% os da gasolina.

Petrobras e Investimentos em Refino

A Petrobras, responsável por 75% da capacidade de refino do país, planeja investir US$ 15,8 bilhões até 2030 no segmento de refino, transporte, comercialização, petroquímica e fertilizantes. O objetivo é expandir e modernizar o parque de refino, visando aumentar a capacidade de processamento para 2,1 milhões de bpd e aprimorar o perfil de produção, com maior participação de derivados de alto valor agregado, como diesel e gasolina. Contudo, apesar desses investimentos e de um alto fator de utilização das refinarias, os combustíveis continuaram sendo os produtos mais importados pelo Brasil em 2023, evidenciando um descompasso entre a oferta de petróleo e a capacidade de processamento.

Impacto nos Fertilizantes e a Urgência de Soluções

Além dos combustíveis, o conflito no Oriente Médio expõe a dependência brasileira de fertilizantes. Em 2023, o Brasil importou US$ 66,8 milhões em fertilizantes do Irã, e nos primeiros meses de 2024, essa cifra já representa quase um terço do total do ano anterior, com um aumento expressivo de 9.720,8% em comparação com o mesmo período de 2023. O adubo representa 90,4% das compras brasileiras do Irã. O país produz apenas cerca de 15% dos 50 milhões de toneladas de fertilizantes que consome anualmente, importando 80%. A produção de fertilizantes é fortemente dependente de gás natural, um insumo caro no Brasil.

Caminhos para a Segurança Energética e Agrícola

Especialistas apontam quatro caminhos para mitigar essas vulnerabilidades. No setor de fertilizantes, sugere-se a necessidade de subsídios para tornar a produção mais competitiva e políticas para reduzir o custo do gás natural. Para o refino, a atração de investimentos privados é crucial, seja através de políticas de não intervenção nos preços por parte do governo ou pela privatização de refinarias. A modernização do parque de refino também pode posicionar o Brasil no desenvolvimento de biocombustíveis. Por fim, a exploração de novas fronteiras de petróleo, como a Margem Equatorial, é essencial para garantir a segurança energética do país a longo prazo, uma vez que as reservas atuais tendem a se esgotar a partir de 2030.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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