Dólar como Refúgio em Tempos de Incerteza
Historicamente, momentos de instabilidade geopolítica levam investidores a buscar ativos considerados seguros. O dólar, apesar de ter registrado uma desvalorização significativa em relação ao real nos últimos meses, ainda mantém seu papel como um importante ativo de proteção, segundo especialistas ouvidos pela CNN Money. Em 2025, a moeda americana passou de R$ 6 para negociar perto de R$ 5,20, encerrando o ano com uma perda de 11,1% frente ao real. Já em 2026, a queda acumulada em março era de 4,51%.
Impacto das Tensões Geopolíticas
A recente valorização de 2% do dólar na primeira semana do conflito entre os EUA e o Irã evidencia a sua resiliência. Especialistas unânimes atribuem esse movimento ao papel central do dólar no sistema financeiro internacional e no comércio global. “O movimento natural do investidor ainda é buscar liquidez e segurança, e o dólar segue sendo o ativo mais líquido do mundo”, afirma João Duarte, sócio da ONE Investimentos. Raissa Florence, economista e sócia da Oz Câmbio, complementa que em cenários de guerra ou choque de energia, a proteção natural tende a fortalecer o dólar, especialmente se houver risco de inflação mais alta e juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos.
Fundamentos e Diversificação Global
Marco Harbich, CIO da Gordon Capital, reforça que o dólar continua sendo o principal “safe haven” (porto seguro), pois seu fundamento no sistema financeiro global permanece inalterado, apesar da desvalorização recente. No entanto, ele ressalta que o fluxo do dólar não é mais tão automático quanto no passado. Fatores como os elevados déficits fiscais nos EUA, política comercial agressiva, o uso geopolítico do dólar com sanções financeiras e a diversificação das reservas globais, que inclui o Brasil, contribuem para essa mudança. A participação do dólar nas reservas globais caiu de 71% em 2001 para cerca de 57% em 2025, indicando uma diversificação gradual, com moedas como o franco suíço e o iene japonês ganhando demanda em momentos de incerteza.
Novos Horizontes de Proteção
Duarte, da ONE Investimento, observa que os investidores hoje consideram um leque maior de ativos defensivos além do dólar. O ouro, historicamente uma reserva de valor em tempos de incerteza, e o petróleo, que reage diretamente a conflitos em regiões produtoras ou rotas estratégicas de energia, também entram no radar. Essa ampliação de opções demonstra uma evolução na estratégia de proteção dos investidores globais, que buscam diversificar seus portfólios em face de um cenário internacional cada vez mais complexo.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


