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Dossiê revela o anticomunismo na cobertura jornalística da antiga Rede Tupi

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"subtitle": "Nova edição da Revista USP, com base no acervo da Cinemateca Brasileira, detalha como a primeira emissora do Brasil construiu narrativas contra a esquerda, do governo Dutra à Ditadura Militar e Revolução Cubana.",
"content_html": "<h1>Dossiê Inédito da USP Revela Anticomunismo Profundo na Cobertura Jornalística da Pioneira Rede Tupi</h1><h2>Nova edição da Revista USP, com base no acervo da Cinemateca Brasileira, detalha como a primeira emissora do Brasil construiu narrativas contra a esquerda, do governo Dutra à Ditadura Militar e Revolução Cubana.</h2><p>Um dossiê abrangente publicado na nova edição da Revista USP lança luz sobre o profundo anticomunismo presente na cobertura jornalística da antiga Rede Tupi, a primeira emissora de televisão do Brasil. Organizado pelo professor Eduardo Morettin, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, o material reúne seis artigos resultantes de pesquisas no vasto acervo da Tupi, hoje sob a guarda da Cinemateca Brasileira (CB), em São Paulo.</p><p>A Rede Tupi, inaugurada em 18 de setembro de 1950, fez parte do conglomerado Diários e Emissoras Associados, de Assis Chateaubriand. Dominante na década de 1950, a emissora enfrentou crises sucessivas até encerrar suas atividades em 1980. O acervo, que chegou à Cinemateca em 1987, compreende cerca de 180 mil rolos de 16 mm de telerreportagens, além de roteiros de locução de notícias nacionais e internacionais. Segundo Morettin, essas “imagens armazenadas […] adormecidas por muitas décadas, voltam a circular, recuperando a dimensão pública que tiveram no momento de sua primeira exibição”, oferecendo uma valiosa fonte histórica para entender a formação da cultura jornalística na televisão brasileira.</p><h3>O Anticomunismo na Era Dutra e as 'Massas Populares'</h3><p>O dossiê é aberto com o artigo “O Anticomunismo e as Massas no Cine Jornal Informativo”, do professor Arthur Autran Franco de Sá Neto (Ufscar). Ele analisa reportagens do Cine Jornal Informativo (CJI), programa de informação governamental da Agência Nacional, focado no discurso anticomunista articulado a manifestações de massa durante a presidência de Eurico Gaspar Dutra (1946-1951). Este período foi marcado pelo alinhamento aos Estados Unidos, pela ilegalidade do Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1947 e pelo rompimento de relações com a União Soviética.</p><p>Neto examina a cobertura de duas manifestações: uma em apoio ao rompimento das relações diplomáticas e outra em desagravo à condenação de um cardeal húngaro. Ele aponta contradições entre os discursos e a montagem das imagens, revelando o esforço do governo Dutra em construir um discurso audiovisual que mostrasse o respaldo popular às suas ações de combate ao comunismo. O autor destaca que, apesar de se dizer democrático, o governo reprimia a esquerda e censurava greves, utilizando as massas para legitimar suas políticas anticomunistas.</p><h3>A Desqualificação da Esquerda Armada Pela Tupi</h3><p>Saltando para o período da ditadura militar, o professor Marcos Napolitano (FFLCH-USP) aborda “A Esquerda Armada nos Telejornais da TV Tupi (1968-1971)”. Seu artigo revela como a imprensa, incluindo a Tupi, atuou na desqualificação de guerrilheiros, muitas vezes reproduzindo narrativas oficiais dos órgãos de segurança. Napolitano analisa a cobertura dos assassinatos de Carlos Marighella (1969) e Carlos Lamarca (1971) em jornais da emissora como Ultra Notícias, Diário de São Paulo na TV e Edição Extra.</p><p>Ele identifica uma mudança no tom das reportagens: de registros mais distanciados para um discurso audiovisual sensacionalista e, por vezes, parte da propaganda do regime. Enquanto a morte de Marighella foi amplamente explorada com o objetivo de destruir sua imagem, a de Lamarca teve pouca repercussão, indicando um reposicionamento da imprensa frente às novas regras da censura. Napolitano conclui que, a partir de então, a ditadura preferia o silenciamento à "notícia plantada", com o regime optando por desaparecer com os corpos para evitar a necessidade de construir notas oficiais falsas.</p><h3>A Revolução Cubana Sob o Olhar Anticomunista</h3><p>A professora Mariana Villaça (Unifesp) investiga a cobertura jornalística da Revolução Cubana e das tensões com os Estados Unidos, analisando 20 reportagens da TV Tupi entre 1960 e 1963, muitas do programa “O Seu Repórter Esso”. Villaça atesta a presença de discursos anticomunistas, intensificados após Fidel Castro declarar o caráter socialista da Revolução em 1961.</p><p>Inicialmente, as reportagens mostravam simpatia, como a visita de Jânio Quadros a Cuba em 1960. No entanto, o tom mudou rapidamente para cautela, lamentando a crise com os EUA e, progressivamente, adotando uma postura pró-americana. As reportagens frequentemente previam a derrocada do “regime de Fidel”, invertendo os papéis e apresentando os Estados Unidos como ameaçados e em busca de defesa contra um governo cubano que, segundo a narrativa da Tupi, perseguia jornalistas, atacava sacerdotes e desvirtuava jovens.</p><h3>Outros Destaques da Revista USP</h3><p>Além do dossiê principal, a Revista USP apresenta outros artigos de relevância. Um estudo de caso sobre o próprio Jornal da USP, escrito por Marcia Blasques, Marcello Rollemberg e Eugênio Bucci, detalha a reestruturação da Superintendência de Comunicação Social (SCS) da USP em 2016, com a transição do jornal impresso para o online e seus desafios durante a pandemia. Outro texto, do pesquisador Guilherme Borges (Cebrap), oferece uma análise sociológica da presença de discursos religiosos no impeachment da presidente Dilma Rousseff, mostrando como referências cristãs foram usadas para legitimar posições políticas, evidenciando uma crescente legitimação de sensibilidades religiosas no cenário político brasileiro desde 2010. A edição também inclui um ensaio fotográfico de Atílio Avancini sobre a Lavagem da Igreja do Bonfim, em Salvador, e resenhas de livros.</p><p>A Revista USP, número 148, com o dossiê “Cine e Telejornalismo – Perspectivas Históricas sobre a Imprensa Audiovisual”, está disponível gratuitamente online.</p>"
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Fonte: jornal.usp.br

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