O Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP lançou, no último dia 13 de fevereiro, o projeto “Memórias do IFSC”. A iniciativa, que conta com textos e vídeos acessíveis online, propõe resgatar e divulgar a rica história do instituto, destacando as lideranças que o impulsionaram para a excelência em ensino e pesquisa, tornando-o uma referência nacional e internacional.
Desde sua fundação, o IFSC tem sido um polo de inovação, expandindo sua vocação inicial em Física do Estado Sólido para diversas áreas de pesquisa interdisciplinar. O projeto homenageia ex-diretores cujas gestões foram pilares para a academia atual, incluindo Oscar Hipólito, Antonio Carlos Hernandes, Yvonne Primerano Mascarenhas, Tito José Bonagamba e Glaucius Oliva. O evento de lançamento reuniu os atuais diretores do IFSC, professor Osvaldo Novais de Oliveira Junior e professora Ana Paula Ulian de Araújo, que destacaram o objetivo de “tornar o conhecimento científico acessível e próximo da sociedade, valorizando todos os que contribuíram para esta caminhada exitosa”.
A Evolução Institucional do IFSC
O projeto “Memórias do IFSC” não se limita a celebrar indivíduos, mas documenta uma evolução institucional que começou em 1954, como o Departamento de Física da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC). Com a reforma universitária de 1971, o departamento integrou o Instituto de Física e Química de São Carlos (IFQSC), ganhando maior estrutura. Em 1994, essa trajetória culminou na criação autônoma do Instituto de Física de São Carlos (IFSC), consolidando sua identidade e prestígio.
Yvonne Mascarenhas: Pioneirismo Feminino na Ciência
Uma das entrevistas centrais do projeto destaca a ex-diretora e professora Yvonne Primerano Mascarenhas (gestão 1994-1998), cuja trajetória se confunde com o nascimento da ciência em São Carlos e a criação do próprio IFSC. Pioneira, Yvonne, ao lado do físico Sérgio Mascarenhas, aceitou o desafio de criar um novo curso de Física, transformando um sobrado improvisado nos primeiros laboratórios da área. Em um período com poucas mulheres na ciência, sua determinação foi fundamental para a conquista de equipamentos de pesquisa de ponta, como o difratômetro automático, até então disponível apenas no exterior. Em seu relato, a professora compartilha não apenas as lutas institucionais para consolidar a ciência no Brasil, mas também oferece uma mensagem atemporal e esperançosa para o futuro da Universidade.
Homenagens e Acesso ao Conteúdo
A cerimônia de lançamento também incluiu o descerramento de uma placa em homenagem ao professor Milton Ferreira de Souza, cujo nome foi atribuído ao Bloco F-1, na Área 1 do Campus USP de São Carlos. O evento contou com a presença da viúva, professora Dulcina Ferreira de Souza, e familiares. As entrevistas exclusivas com os ex-diretores e vice-diretores, que revelam os bastidores e desafios da construção da identidade interdisciplinar e do prestígio internacional do instituto, estão disponíveis para o público no link do projeto. É um convite para conhecer a história que moldou o IFSC e a ciência brasileira.
Fonte: jornal.usp.br


