A política internacional vive um momento de redefinição, onde a força bruta parece suplantar a diplomacia, o direito e a ética. Ações recentes, como o ataque dos Estados Unidos ao Irã e o sequestro do presidente da Venezuela por forças norte-americanas, somadas à invasão russa da Ucrânia e à política de Israel na Faixa de Gaza, configuram um novo panorama global. O professor Renato Janine Ribeiro observa que valores fundamentais estão sendo colocados em xeque, com a aparente prevalência da violência.
Segundo Ribeiro, a força bruta, embora capaz de gerar vitórias momentâneas, como matar ou controlar, não é um alicerce para um poder duradouro. Ele cita uma frase atribuída a Napoleão Bonaparte: “muita coisa se pode fazer com fuzis, menos sentar-se em cima, um trono não se sustenta em baionetas”. Mesmo regimes ditatoriais, como a teocracia islâmica no Irã, dependem de algum grau de consentimento popular e de uma estrutura bem articulada para se manterem, mostrando que a decapitação do poder não garante a mudança.
A Ilusão do Poder Pela Força
A crença de que a força pode substituir a negociação e a política é, para Ribeiro, um grande equívoco. A política é inerente às relações humanas, e a dificuldade de negociar, como a enfrentada por Israel com países árabes, perpetua um estado de conflito. O analista ressalta que sua crítica se direciona aos governos atuais e anteriores de Israel, não ao Estado em si, cuja existência é um fato.
O Desprezo pela Diplomacia e Seus Riscos
As estratégias de líderes como Vladimir Putin na Ucrânia, Donald Trump na Venezuela e no Irã, e Benjamin Netanyahu em Gaza, podem resultar em triunfos imediatos. Contudo, elas falham em construir um futuro de relações internacionais honestas e equitativas entre nações soberanas. A falta de articulação e o descarte da diplomacia impedem a formação de laços sólidos e a promoção da estabilidade global.
Consequências para o Futuro Global e a Democracia
Além de dificultar as relações internacionais, a primazia da força bruta também se mostra incapaz de constituir democracias duradouras no interior dos países. Para Ribeiro, a construção de um regime democrático exige o abandono da violência em favor da política, do direito e da ética. A insistência em táticas de força apenas perpetua ciclos de conflito e instabilidade, impedindo o desenvolvimento de sociedades justas e livres.
Fonte: jornal.usp.br


