USP 2026-2027: Nova Gestão da Pró-Reitoria de Graduação Prioriza Avaliação, Acolhimento e Inovação com IA
Marcos Neira e Paulo Sano assumem a PRG com o compromisso de aprimorar cursos, garantir a permanência estudantil e implementar cotas para pessoas com deficiência, visando a excelência acadêmica da maior universidade da América Latina.
A Pró-Reitoria de Graduação (PRG) da Universidade de São Paulo (USP) inicia um novo ciclo sob a liderança do pró-reitor Marcos Neira e do pró-reitor adjunto Paulo Takeo Sano. Com a missão de promover a avaliação e a melhoria contínua de cursos e disciplinas, a nova gestão, que abrange os anos de 2026 e 2027, foca em fortalecer mecanismos de avaliação, garantir a permanência estudantil e integrar inovações como a inteligência artificial ao ensino.
Ambos os dirigentes trazem vasta experiência na área de graduação. Neira já atuou como coordenador do curso de Pedagogia, presidente da Comissão de Graduação e diretor da Faculdade de Educação, além de pró-reitor adjunto na gestão anterior. Paulo Sano, por sua vez, presidiu a Comissão Interunidades das Licenciaturas, a Comissão de Graduação do Instituto de Biociências e coordenou a Câmara de Cursos e Ingresso da PRG.
Continuidade e Foco na Permanência Estudantil
A gestão Neira-Sano será de continuidade, aproveitando a experiência e os diagnósticos da administração anterior. “A proposta é aperfeiçoar o que já vem dando bons resultados e corrigir pontos que ainda exigem atenção, especialmente em cursos com baixa procura e altas taxas de evasão”, afirma Marcos Neira. Um olhar atencioso será dado ao primeiro ano, período crítico para a permanência dos alunos.
“As pesquisas mostram um índice mais elevado de evasão no primeiro ano. Nosso plano é torná-lo mais acolhedor, fazer com que o estudante se sinta pertencente a uma comunidade, que tenha contato com a profissão que irá exercer, que sinta orgulho de ser uspiano”, explica Paulo Sano. A Pró-Reitoria desenvolverá ferramentas para ouvir ativamente os alunos, compreendendo suas expectativas, obstáculos e sugestões.
Para isso, a PRG está preparando indicadores e métricas para avaliar o que acontece no primeiro ano da Graduação, desde o número de disciplinas matriculadas até a conclusão. Esses dados, combinados com informações qualitativas de entrevistas e grupos focais, permitirão identificar obstáculos e orientar ajustes no sistema de notas, distribuição de disciplinas e outras melhorias.
Avaliação Institucional e Inovação Pedagógica
A gestão acadêmica e a avaliação institucional serão pilares. A USP participou do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) pela primeira vez no ano passado, avaliando cursos de Medicina e licenciaturas/humanas. “O Enade é uma avaliação externa que fornece indicadores importantes para o aprimoramento dos cursos”, destaca Neira. A preparação para a edição deste ano já começou, envolvendo cursos como Arquitetura, Engenharias, Química, Biologia e Computação.
Além do Enade, um novo sistema de avaliação de disciplinas será implementado ainda neste semestre, considerando a adequação do conteúdo, o momento ideal de oferta e a viabilidade de trabalho em grupo. “Quando falamos em avaliação, falamos de um instrumento pedagógico para aprimorar o ensino e corrigir fragilidades. Por isso, a coordenação pedagógica precisa ser reconhecida como uma função estratégica para a qualidade da graduação”, ressalta o pró-reitor.
Em termos de inovação, a PRG planeja criar um Núcleo de Acessibilidade Pedagógica para apoiar docentes no planejamento de atividades e unidades na preparação de ambientes de ensino, considerando o perfil e as necessidades dos estudantes. A Pró-Reitoria também abordará o uso da inteligência artificial (IA) no meio acadêmico. “A verdade é que a inteligência artificial veio para nos auxiliar, temos muito a ganhar e muito a aprender”, afirma Sano. Marcos Neira complementa que a IA não diminui o papel do docente, mas o torna mais central, cabendo aos professores conduzir o aprendizado e ensinar o uso crítico e ético da tecnologia. Uma disciplina sobre o uso responsável da IA está em desenvolvimento e será aberta a todos os estudantes de graduação.
Inclusão e Acessibilidade: Cotas para PCD
Um dos desafios centrais desta gestão será definir os critérios para a implantação da reserva de vagas para pessoas com deficiência (PCD), conforme a Lei 18.167/2025. Um grupo de trabalho está sendo formado em parceria com a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP), reunindo representantes de coletivos, especialistas em educação especial e membros dos conselhos de Graduação e Inclusão e Pertencimento.
“Com menos de dois anos para cumprir o prazo legal, a Universidade está atenta a essa exigência e empenhada em avançar, com a urgência necessária, as alterações em sua legislação interna”, explicou Neira. A implementação das cotas para PCD está prevista para o vestibular de 2028, marcando um passo importante na promoção da inclusão na USP.
Fonte: jornal.usp.br


