sábado, março 7, 2026
teste
Google search engine
HomeUltimas NotíciasMá Gestão no Brasil Freia Produtividade e Competitividade Global, Aponta Pesquisa Inovadora

Má Gestão no Brasil Freia Produtividade e Competitividade Global, Aponta Pesquisa Inovadora

A baixa produtividade é um desafio crônico para a economia brasileira, um quadro cujas causas são amplamente debatidas, mas pouco resolvidas. Custos elevados de transporte devido à dependência rodoviária e uma das maiores cargas tributárias do mundo (cerca de 34% do PIB) são fatores conhecidos que emperram o avanço nacional. No entanto, uma causa menos explorada vem ganhando destaque com estudos recentes: a má qualidade da gestão empresarial.

O Espelho da Gestão Global: A Pesquisa WMS

Pesquisadores como Nicholas Bloom, de Stanford, e John Van Reenen, da London School of Economics, desenvolveram uma metodologia inovadora chamada World Management Survey (WMS). Esse método avalia a qualidade da gestão de empresas a partir de entrevistas com seus principais executivos, classificando-as por países. Os resultados são alarmantes para o Brasil: desde o primeiro estudo divulgado em 2010, a nota média das empresas brasileiras permanece entre as mais baixas globalmente.

Em contraste, países como a China, que no início da pesquisa apresentavam notas semelhantes às do Brasil, demonstraram um avanço significativo na qualidade de sua gestão ao longo dos anos. Essa estagnação brasileira é um sinal de alerta para o futuro econômico do país.

O Freio no Crescimento Econômico e a Comparação Internacional

A relação entre gestão e produtividade é direta e impactante. Van Reenen e Bloom calculam que, para cada 1% de melhora na qualidade da gestão, há um impacto de 6% no crescimento da produtividade dos países. O próprio Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) já manifestou profunda preocupação com esses resultados, que deveriam impulsionar um esforço nacional pela melhoria gerencial.

A fragilidade da gestão brasileira também se reflete na competitividade global. Embora o país conte com empresas de excelência reconhecida internacionalmente, como Embraer, Natura e WEG, elas são exceções. A lista anual das duas mil maiores empresas do mundo, elaborada pela revista Forbes, evidencia isso: o Brasil aparece com apenas 27 empresas (1,35% do total), enquanto Estados Unidos e China contam com 612 e 317, respectivamente. Há 30 anos, em 1995, Brasil e China tinham um número similar de empresas nessa lista, cerca de 35 cada, mostrando a defasagem recente.

Vícios de Gestão: Do Público ao Privado

Os estudos de Van Reenen e Bloom apontam que a forma brasileira de gerir empresas está mal avaliada. É sabido que o setor público brasileiro sofre com desperdício de recursos, critérios políticos na escolha de gestores, falta de metas claras e de cobrança por resultados. O que talvez não seja tão evidente é que esses mesmos erros e vícios de gestão se replicam no setor privado, contribuindo para a baixa produtividade geral.

A Urgência de uma Agenda Nacional

A produtividade é, sem dúvida, um problema real e urgente para o Brasil. Diante desse cenário, torna-se imperativo discutir e implementar estratégias para aprimorar a gestão tanto em empresas públicas quanto privadas. O mais estranho, e talvez um sintoma da própria má gestão, é que este assunto ainda não figurou na agenda de prioridades nacionais, apesar de seu impacto direto no desenvolvimento e na competitividade do país.

Fonte: jornal.usp.br

RELATED ARTICLES

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

- Advertisment -
Google search engine

Most Popular

Recent Comments