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"title": "Aumento do Imposto de Importação no Brasil: Protecionismo Eleva Custos e Reacende Debate sobre Competitividade da Indústria Nacional, Alerta Especialista da USP",
"subtitle": "Professor Luciano Nakabashi, da FEA-RP, avalia que tarifas mais altas podem frear modernização e não resolvem desafios estruturais que há décadas limitam a produtividade brasileira.",
"content_html": "<p>O governo federal elevou o imposto de importação sobre mais de 1.200 produtos, incluindo máquinas, tecnologia e bens de capital, com alíquotas variando entre 7,2% e 25%. Essa decisão reacendeu um antigo debate na economia brasileira: a eficácia do protecionismo como estratégia para fortalecer a indústria nacional. Para o professor Luciano Nakabashi, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP, a medida pode oferecer um alívio momentâneo, mas está longe de garantir ganho real de competitividade.</p><h3>Proteção Tarifária: Um Atalho Perigoso?</h3><p>Nakabashi argumenta que, ao encarecer produtos estrangeiros para favorecer o similar nacional, o Brasil corre o risco de perpetuar empresas pouco eficientes. A proteção tarifária atua como um 'atalho' que desvia o foco dos problemas estruturais que há décadas limitam a produtividade brasileira. Entre esses fatores, o especialista aponta o elevado custo logístico, a complexidade tributária, a infraestrutura deficiente, a baixa qualificação da mão de obra e o reduzido investimento em inovação. Sem enfrentar esses desafios, a indústria tende a permanecer dependente de barreiras artificiais, em vez de desenvolver capacidade para competir globalmente.</p><h3>O Impacto nos Custos de Produção e Inovação</h3><p>Outro ponto de preocupação é o impacto direto sobre o próprio setor produtivo. Grande parte das empresas brasileiras depende da importação de máquinas, equipamentos e insumos tecnológicos para modernizar suas operações. Segundo Nakabashi, quando essas aquisições se tornam mais caras, o resultado pode ser o oposto do esperado: aumento do custo de produção, redução da eficiência e perda de competitividade, inclusive no mercado interno. Em vez de impulsionar a reindustrialização, a medida pode travar avanços em produtividade.</p><h3>Lições do Passado e o Cenário Globalizado</h3><p>O professor recorda que o Brasil já utilizou estratégia semelhante durante o processo de industrialização no século 20, com forte proteção contra a concorrência externa. Embora esse modelo tenha criado um parque industrial relevante, não foi acompanhado por uma inserção consistente nas exportações nem por incentivos à inovação. Com a abertura econômica posterior, muitas empresas não estavam preparadas para a competição global, resultando na perda de participação da indústria no PIB. No cenário atual, com cadeias produtivas globalizadas, a lógica de produção mudou. "Nenhum país fabrica sozinho todas as etapas de um produto", explica Nakabashi, ressaltando que tentar reconstruir cadeias completas de forma isolada pode significar aumento de custos e atraso tecnológico.</p><p>Apesar de a elevação das tarifas poder ter um efeito arrecadatório e refletir uma tendência internacional de maior cautela comercial, ela dificilmente substituirá uma agenda mais ampla de reformas estruturais. O desafio central, conforme Nakabashi, não é proteger o que já existe, mas criar condições para que empresas brasileiras produzam melhor, inovem mais e consigam competir sem depender de barreiras. Sem esse esforço, o risco é repetir experiências passadas, onde o protecionismo ofereceu apenas proteção temporária, sem gerar crescimento sustentado ou aumento consistente de produtividade.</p>"
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Fonte: jornal.usp.br


