Conferência Nacional das Cidades Retorna Após Uma Década, Impulsionando Novo Ciclo de Debate sobre Política Urbana, Habitação e Crise Climática no Brasil
Evento em Brasília reúne mais de 2.600 delegados para formular propostas que moldarão o futuro das cidades brasileiras, com foco na sustentabilidade e redução de desigualdades socioambientais.
Brasília é palco, desde esta terça-feira (24), da 6ª Conferência Nacional das Cidades, um evento que marca a retomada de um importante espaço de diálogo e deliberação sobre as políticas públicas urbanas no Brasil, após mais de uma década de hiato. Com a participação de mais de 2.600 delegados eleitos nas etapas estaduais e municipais, e cerca de 3 mil pessoas inscritas, a conferência busca consolidar propostas que integrarão a futura Política Nacional de Desenvolvimento Urbano (PNDU).
Retomada Após uma Década de Interrupção
A última edição da Conferência Nacional das Cidades ocorreu em 2013. O ciclo participativo foi interrompido posteriormente, e órgãos como o Ministério das Cidades e o Conselho das Cidades, que promoviam o evento, tiveram suas atividades descontinuadas. A pesquisadora Marília Bello, do Observatório das Metrópoles e doutoranda da FAU-USP, destaca a importância desta retomada. “É um espaço de participação e deliberação onde os delegados de todo o País se reúnem para discutir os rumos da política urbana”, afirma. Marília também aponta a presença de muitos novos delegados como um fator que “amplia as perspectivas territoriais com novas visões para o debate, o que só tende a enriquecer a conferência”.
Temas Centrais e a Urgência Climática
Nesta edição, os debates giram em torno de temas cruciais para o desenvolvimento urbano. Entre os principais assuntos estão habitação, regularização fundiária, saneamento básico, adaptação às mudanças climáticas e o fortalecimento de um sistema nacional de desenvolvimento urbano. Uma novidade apontada por palestrantes e especialistas é a centralidade da emergência climática, que ganha destaque inédito nas discussões. O professor Maurício Lamano, de Ecologia Urbana da EEL-USP, ressalta a expectativa de que o evento seja um palco para a reconstrução do pacto federativo em torno do desenvolvimento urbano sustentável.
Desafios e o Papel da Ciência
Lamano enfatiza a necessidade de “avançar em diretrizes concretas para a PNDU, trazendo a ciência para o centro do debate”. Segundo o professor, a gestão pública tem um “calcanhar de Aquiles” nas desigualdades socioambientais. “Os mais pobres são aqueles que vivem em territórios mais quentes, menos verdes, menos qualificados”, observa, sublinhando a urgência de políticas que enderecem essas disparidades. As propostas aprovadas ao longo da conferência, que se estende até sexta-feira, visam não apenas aprimorar a vida nas cidades, mas também construir um futuro mais equitativo e resiliente para todos os brasileiros.
Fonte: jornal.usp.br


