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"title": "Novo Reitor da USP, Aluísio Cotrim Segurado, Detalha Visão: 'Liberdade Vem Com Limites' e Aborda Desafios de Financiamento, Inclusão e Polarização",
"subtitle": "Em entrevista exclusiva à revista Veja, o infectologista e novo líder da Universidade de São Paulo expõe seus planos para a maior instituição de ensino do país, abordando desde a autonomia financeira e a diversidade até o combate à desinformação e os rankings internacionais.",
"content_html": "<p>O infectologista Aluísio Cotrim Segurado, empossado como o 30º reitor da Universidade de São Paulo (USP), concedeu uma entrevista abrangente à revista Veja, publicada em 20 de fevereiro, onde delineou os pilares de sua gestão. Com mais de meio século de trajetória na instituição, que inclui o enfrentamento de epidemias como HIV e Covid-19, Segurado assume a liderança da maior universidade do Brasil com um olhar crítico sobre os desafios contemporâneos. Entre os temas abordados, destacam-se a autonomia e o financiamento universitário, a polarização social, a diversidade e o papel da ciência no combate à desinformação.</p><h2>Autonomia Financeira Sob Análise</h2><p>Um dos pontos centrais da entrevista foi o financiamento das universidades públicas. Segurado reiterou a posição da USP de que a cobrança de mensalidades é inviável, esbarrando diretamente no Artigo 206 da Constituição Federal, que veta taxas no ensino público superior. Ele enfatizou que a qualidade da USP está intrinsecamente ligada ao investimento público e à autonomia universitária, que garante previsibilidade orçamentária desde 1989.</p><p>Contudo, o reitor expressou preocupação com as propostas da reforma tributária e a substituição do ICMS por um novo imposto. Embora não veja uma ameaça direta à autonomia constitucional, ele apontou que o modelo de financiamento precisa ser recalculado. “Não é uma ameaça direta à autonomia, que é algo garantido constitucionalmente, mas um ponto de atenção importante”, afirmou. Segurado destacou a garantia recebida do governador Tarcísio de Freitas de que não haverá prejuízos orçamentários durante o período de transição da reforma, o que considera fundamental para a sustentabilidade da universidade.</p><h3>Liberdade de Expressão e a Convivência na USP</h3><p>A polarização política e ideológica, um fenômeno da sociedade contemporânea, também se manifesta dentro da universidade. Aluísio Segurado defendeu que a USP deve ser um espaço institucional onde diferentes visões possam conviver e se expressar, mas enfatizou que “liberdade vem com limites”. Para ele, o exercício da autonomia só é possível com respeito mútuo.</p><p>Ao comentar o episódio de intolerância ocorrido em 2023 na Faculdade de Direito, onde um grupo de alunos impediu a palestra do cientista político Andre Lajst, o reitor foi categórico. Ele afirmou que a liberdade de expressão e a pluralidade de ideias são princípios basilares da vida acadêmica e que a USP “repudia qualquer tipo de violência que imponha restrições ao exercício desta liberdade de opinião dentro dos limites da convivência republicana”.</p><h3>Inclusão e a Transformação do Perfil Estudantil</h3><p>As políticas de ação afirmativa, implementadas na USP a partir de 2016, foram avaliadas positivamente pelo reitor. Ele destacou que essas medidas corrigiram a falta de representatividade na universidade, sem abrir mão do mérito. A meta de ter ao menos metade dos ingressantes vindos de escola pública foi superada, atingindo 54% atualmente. Essa conquista foi atribuída a ajustes nos processos de convocação e à entrada via Enem, que ampliou a diversidade.</p><p>No entanto, Segurado ressaltou que a inclusão vai além da porta de entrada. “Não basta abrir a porta da universidade. É preciso assegurar a inclusão lá dentro, o que nos leva a questionar nossos processos pedagógicos e ferramentas para avaliar desempenho”, ponderou, indicando um foco na permanência e sucesso dos estudantes.</p><h3>Navegando Desafios Globais e Digitais</h3><p>A entrevista também abordou o posicionamento da USP em rankings internacionais e o cenário da educação médica no país. Sobre a queda da instituição no QS World 2026 (108ª posição, ante 92ª em 2024), Segurado relativizou a importância desses rankings, criticando seus critérios, que muitas vezes favorecem universidades de língua inglesa ou com programas específicos para atrair estrangeiros. Ele reafirmou a liderança da USP na América Latina e no mundo ibero-americano.</p><p>Em relação à proliferação de cursos de Medicina e ao exame Enamed, que reprovou mais de 100 cursos no país, o reitor da USP vê a iniciativa como um instrumento crucial para analisar a qualidade do ensino. Ele destacou o desempenho superior das universidades públicas e privadas tradicionais, com os três cursos da USP obtendo nota máxima, e a necessidade de entender como o Enamed pode ser usado como ferramenta regulatória.</p><p>A desinformação, especialmente em ciência e saúde, é outra grande preocupação de Segurado, que é infectologista. Ele lamentou a hesitação vacinal e a propagação de informações falsas, reconhecendo que, embora a universidade atue na pesquisa, a comunicação com a sociedade precisa ser aperfeiçoada. Sobre a transformação digital e a inteligência artificial, o reitor propôs a criação de um escritório focado no tema, visando um uso ético e pedagogicamente responsável dessas ferramentas.</p><p>Com a chapa "USP pelas Pessoas", Aluísio Segurado busca uma gestão que contemple a comunidade universitária e olhe para além dos muros, atendendo às demandas sociais. Seu legado, ele espera, será o de preparar a universidade para cumprir plenamente sua missão, independentemente de quem esteja no poder, transmitindo valores como o respeito à democracia e a inovação para o desenvolvimento do Brasil.</p>"
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Fonte: jornal.usp.br


