Protestos Estudantis Ganham Força em Teerão
Vídeos que circulam em universidades de Teerão revelam estudantes iranianos em confrontos com grupos pró-governo, dirigindo-lhes insultos em persa como “descarados” e “vergonhosos”. As manifestações, que ganharam força esta semana, marcam os 40 dias de luto, de acordo com a tradição xiita, após os eventos violentos de 8 e 9 de janeiro, que resultaram em milhares de mortes. A principal universidade de Engenharia de Teerão e a Universidade de Tecnologia Sharif foram palcos de intensos protestos, com estudantes entoando slogans antigovernamentais.
Repressão e Contagem de Vítimas Disputada
A agência local Fars noticiou que uma manifestação pacífica em memória dos mortos foi interrompida por indivíduos que começaram a gritar “morte ao ditador”, em referência ao líder supremo Ali Khamenei. Imagens divulgadas pela Fars mostram um grupo a entoar cânticos em frente a uma multidão contida por homens de fato. A agitação, que começou em dezembro devido a dificuldades financeiras, evoluiu para protestos em larga escala contra o governo. A repressão das forças de segurança, segundo grupos de direitos humanos, teria resultado em milhares de mortos. As autoridades iranianas admitem mais de 3.000 mortos, atribuindo a violência a “atos terroristas”, enquanto a Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos, sediada nos EUA, aponta para mais de 7.000 mortos. O presidente dos EUA, Donald Trump, chegou a afirmar que 32.000 pessoas teriam morrido, um número contestado pelo Irão, cujo ministro das Relações Exteriores pediu evidências para quem duvidasse dos dados oficiais.
Tensão Regional e Movimentação Militar
Os protestos ocorrem em um contexto de crescente tensão na região. O Irão enfrenta pressão internacional para chegar a um acordo sobre seu programa nuclear, enquanto os Estados Unidos aumentam sua presença militar no Oriente Médio. O presidente Trump já havia ameaçado com ação militar contra Teerão. Relatos indicam a presença de aviões militares norte-americanos em bases em Portugal e na Bulgária, além da passagem do porta-aviões USS Gerald R. Ford pelo Estreito de Gibraltar. O fechamento temporário do aeroporto de Sófia, na Bulgária, para aviões militares dos EUA, faz parte de atividades de vigilância reforçada da NATO. Países como Suécia, Sérvia e Austrália emitiram avisos para que seus cidadãos deixem o Irão devido à deterioração da situação de segurança.
Ameaça de Ataque Militar Americano
Em meio às negociações sobre o programa nuclear iraniano, Donald Trump declarou na sexta-feira que estava “considerando” um ataque militar limitado ao Irão caso as negociações falhassem. A escalada retórica e a movimentação militar aumentam a apreensão em relação a um possível conflito na região, enquanto os protestos internos no Irão continuam a exigir mudanças significativas no país.
Fonte: pt.euronews.com


