Com o objetivo de fortalecer a atuação da atenção primária em saúde mental, foi lançado o Guia rápido de como avaliar, intervir e encaminhar 15 situações de saúde mental na atenção primária. A publicação, disponível para download gratuito mediante cadastro, é um recurso valioso para equipes que buscam agir com mais segurança no diagnóstico e tratamento de condições que afetam desde a infância até a vida adulta.
O material, desenvolvido por uma parceria entre o Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM) do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina (FM) da USP, o Centro Universitário de Jaguariúna (Unifaj) e o Centro Universitário Max Planck (Unimax Indaiatuba), apresenta de forma prática as situações mais frequentes encontradas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
Um Recurso Abrangente para a Rede Básica
O guia de 82 páginas aborda sistematicamente 15 condições, oferecendo informações detalhadas sobre sinais de alerta, avaliação inicial, condutas recomendadas e critérios para encaminhamento a serviços especializados. “Os temas abordam desde quadros frequentes na infância e adolescência, como desatenção, irritabilidade e atrasos no desenvolvimento, até condições prevalentes na vida adulta, como ansiedade”, detalha a psiquiatra Fernanda Lucia Capitanio Baeza, pesquisadora do CISM vinculada à UFRGS e uma das organizadoras do material. Também participaram da organização João Vitor de Luca Refundini, da Unifesp, e Arthur Caye, professor da UFRGS e colaborador na USP.
Entre os tópicos contemplados, estão:
- Desatenção e hiperatividade em crianças e adolescentes;
- Atraso do desenvolvimento e deficiência intelectual na infância;
- Transtorno do espectro autista (TEA) na infância;
- Irritabilidade na infância e adolescência;
- Depressão e Ansiedade na infância e adolescência;
- Depressão e Ansiedade no adulto;
- Depressão, ansiedade e sinais de gravidade na gestação e puerpério;
- Transtorno do humor bipolar;
- Sintomas psicóticos;
- Risco de suicídio;
- Tabagismo;
- Problemas com o álcool;
- Insônia.
Manejo Clínico e Critérios de Encaminhamento Detalhados
As orientações do guia não se limitam à identificação. Elas incluem o manejo farmacológico, com dosagens e cuidados específicos para diferentes faixas etárias e gestantes, além de estratégias não farmacológicas e hábitos de vida. O material também estabelece critérios claros sobre quando encaminhar pacientes para serviços especializados e como realizar o monitoramento longitudinal. “O objetivo central é capacitar a rede básica para o reconhecimento precoce e a intervenção adequada em saúde mental ao longo de toda a vida”, explicam os autores.
Exemplos Práticos para o Dia a Dia
Para ilustrar a aplicabilidade do guia, a seção dedicada à ansiedade na infância e adolescência ressalta manifestações comuns como a ansiedade de separação (típica em menores de 7 anos e frequentemente acompanhada de queixas físicas) e a ansiedade generalizada. O tratamento foca na exposição gradual para romper o ciclo de medo, suporte terapêutico e, quando necessário, o uso de fluoxetina ou sertralina (indicadas a partir dos 6-8 anos). O encaminhamento especializado é recomendado em casos de resistência ao tratamento após oito semanas, histórico de maus-tratos ou sintomas físicos persistentes sem causa aparente.
Em outro tópico, sobre sintomas psicóticos, a publicação diferencia causas primárias (como esquizofrenia) e secundárias (substâncias ou delirium). Na atenção primária, o foco é a identificação inicial, o monitoramento de riscos cardiovasculares e o manejo de efeitos colaterais dos antipsicóticos. O encaminhamento especializado para os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) é necessário para diagnósticos novos, gestantes ou recidivas, enquanto pacientes estáveis devem ser mantidos sob acompanhamento longitudinal na própria unidade de saúde.
A Força por Trás da Iniciativa: O CISM e a Neurociência de Precisão
O projeto “Intervenção Educativa em Saúde Mental” é uma iniciativa do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM), um dos Centros de Pesquisa Aplicada (CPAs) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O CISM, em parceria com a Unifesp e UFRGS, atua no desenvolvimento de pesquisas, intervenções e tecnologias digitais inovadoras com potencial de escalabilidade. Seu objetivo é promover a saúde mental, a identificação precoce, a prevenção e o tratamento de transtornos mentais, visando o bem-estar da sociedade brasileira.
“O CISM tem o potencial de transformar a pesquisa em saúde mental no País, tornando-a mais consistente e orientada por um propósito social. Desenvolvemos novas ideias com potencial inovador e buscamos proporcionar intervenções sistemáticas que terão impacto significativo no mundo real, influenciando a vida das pessoas que mais precisam de cuidados em nossas comunidades”, destaca o professor Euripedes Constantino Miguel, da FMUSP, coordenador geral do centro.
O Guia rápido de como avaliar, intervir e encaminhar 15 situações de saúde mental na atenção primária pode ser baixado gratuitamente clicando aqui. A versão para impressão pode ser solicitada pelo e-mail: comunicacao@cism.org.br. Para saber mais sobre o CISM, acesse a página do centro ou o Instagram.
Fonte: jornal.usp.br


