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"title": "Campo e Cidade na América Latina: Exposição da USP no Centro MariAntonia Mergulha na História do Desenvolvimentismo e Arquitetura Social",
"subtitle": "Mostra inédita da FAU/USP revela o papel do CINVA e a luta de trabalhadores por moradia e planejamento urbano no século 20, com entrada gratuita.",
"content_html": "<h1>Campo e Cidade na América Latina: Exposição da USP no Centro MariAntonia Mergulha na História do Desenvolvimentismo e Arquitetura Social</h1><h2>Mostra inédita da FAU/USP revela o papel do CINVA e a luta de trabalhadores por moradia e planejamento urbano no século 20, com entrada gratuita.</h2><p>Uma fascinante viagem pela história do desenvolvimentismo na América Latina, com foco na complexa relação entre o campo e a cidade, está em cartaz no Centro MariAntonia da USP. A exposição "Campo e Cidade na América Latina", fruto de um projeto de pesquisa da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design (FAU) da USP, transforma dados acadêmicos em uma experiência visual e imersiva. A mostra destaca o Centro Interamericano de Vivenda y Planeamiento (CINVA), criado em 1951 pela Organização dos Estados Americanos (OEA) na Universidade Nacional da Colômbia, em Bogotá, e seu impacto nas lutas de trabalhadores por melhores condições de vida e no fortalecimento de culturas tradicionais ameaçadas pela urbanização.</p><p>A exposição, que une história e arquitetura, está disponível para visitação gratuita até o dia 31 de maio, oferecendo ao público uma perspectiva aprofundada sobre os projetos de desenvolvimento promovidos na região durante o século 20.</p><h3>A Trajetória do CINVA e o Desenvolvimentismo</h3><p>O período de atuação do CINVA, entre 1951 e 1972, é o cerne da mostra. O centro tinha como missão principal promover estudos, pesquisas e capacitação técnica nas áreas de planejamento e habitação. Conforme explica Nilce Avarecchia, professora da FAU e uma das curadoras, o CINVA baseava-se em teorias de intelectuais latinos como Celso Furtado e Raúl Prebisch, que defendiam que o subdesenvolvimento não era uma fase pré-desenvolvimento, mas uma condição estrutural necessária para a manutenção de um sistema global. Para superar essa condição, seriam indispensáveis ações estatais robustas.</p><p>Apesar de sua subordinação à OEA e, consequentemente, a valores norte-americanos, o CINVA foi permeado por teorias de intelectuais latinos e pressões de movimentos sociais trabalhistas. A mostra enfatiza a prática do "planejamento integral", que preconizava o desenvolvimento de projetos locais, respeitando as culturas tradicionais ameaçadas pelo avanço da urbanização. Segundo Avarecchia, embora os técnicos da instituição vissem as populações trabalhadoras como objetos de seu trabalho, o modo de vida dessas pessoas transformou a visão e a abordagem dos técnicos, diluindo dicotomias e encontrando o fator humano e o conhecimento técnico-científico no território.</p><h3>Diálogo Visual e Histórico</h3><p>A história do CINVA e as lutas sociais são contadas através de uma rica variedade de elementos visuais, incluindo textos, fotografias, vídeos e instalações. As fotografias são exibidas em painéis de voil, um tecido leve e translúcido que permite a sobreposição de imagens de campos e cidades latino-americanas. “A escolha do voil foi para mostrar quanto esses universos estão borrados. Essa divisão foi imposta apenas para separar os trabalhadores como classe, sendo que, seja onde estiverem, suas vidas continuam sendo muito similares”, afirma Nilce Avarecchia.</p><p>Três linhas do tempo distintas enriquecem a compreensão do contexto histórico. Uma delas, de 1910 a 1980, destaca eventos marcantes da organização dos trabalhadores na América Latina, como a criação do Partido Comunista da Colômbia e a reforma agrária de Jacobo Árbenz na Guatemala. Outra linha do tempo aborda fatos determinantes para o comércio mundial no século 20, como a Primeira Guerra Mundial e a quebra da Bolsa de Nova York. Uma terceira linha apresenta acontecimentos nacionais em países latinos, como a Lei da Reforma Agrária no México e greves trabalhistas na Venezuela. A exposição também conta com dois vídeos produzidos por estudantes da Universidade Nacional da Colômbia e uma exposição de livros de teóricos desenvolvimentistas latino-americanos da biblioteca da FAU.</p><h3>Inovação e Contradições: A Máquina Cinva Ram</h3><p>Uma seção especial da exposição aborda projetos de desenvolvimento local e destaca a máquina Cinva Ram. Criada pelo engenheiro chileno Raul Ramirez, do próprio CINVA, essa inovação permitia que uma única pessoa comprimisse terra para produzir blocos, substituindo as precárias casas de taipa por moradias mais resistentes e melhorando as condições de vida. A máquina era adaptada para diferentes tipos de solo, com a intenção de ser produzida e comercializada localmente na América Latina. Contraditoriamente, como aponta Avarecchia, a máquina acabou sendo patenteada pela poderosa família Rockefeller.</p><h3>Da Pesquisa Acadêmica ao Acesso Público</h3><p>A origem da exposição reside na tese de doutorado da professora Nilce Avarecchia, que, ao pesquisar sobre o Instituto de Aposentadoria dos Industriários (Iapi), descobriu documentos sobre o CINVA. Esse achado motivou um projeto de pós-doutorado, que evoluiu para o tema de seu projeto docente na FAU. Com visitas aos arquivos da Universidade Nacional da Colômbia e uma parceria com a professora Ana Patricia Montoya, a pesquisa ganhou corpo. A iniciativa de transformar o projeto em uma exposição foi incentivada pela diretora do Centro MariAntonia, Ana Castro, também professora da FAU. “O que é produzido na Universidade deve ser disseminado como conhecimento. O artigo científico é a forma mais comum de atingir isso, mas tem alcance muito pequeno. A exposição permite que ele seja mais difundido”, conclui Avarecchia.</p><p>A exposição “Campo e Cidade na América Latina” permanece em cartaz até 31 de maio, de terça-feira a domingo e feriados, das 10h às 18h, no Centro MariAntonia da USP, localizado na Rua Maria Antonia, 294, Vila Buarque, região central de São Paulo (próximo às estações Higienópolis-Mackenzie e Santa Cecília do metrô). A entrada é gratuita. Mais informações estão disponíveis nos sites do Centro MariAntonia e da exposição.</p>"
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Fonte: jornal.usp.br


