Por Que Doenças ‘Inofensivas’ Ainda Matam? Especialista da USP Revela Riscos e a Chave da Prevenção
Apesar dos avanços científicos, infecções comuns como gripes e diarreias ainda ceifam vidas, especialmente entre crianças e idosos. A professora Cinara Feliciano destaca a importância vital da vacinação e do tratamento adequado para evitar desfechos trágicos.
Mesmo com o progresso notável da ciência e da medicina ao longo dos anos, um paradoxo persiste: pessoas continuam morrendo devido a infecções que são, em sua essência, evitáveis ou tratáveis. Esse cenário é particularmente preocupante para grupos vulneráveis, como crianças e idosos. A professora Cinara Feliciano, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, explora as razões por trás dessas mortes e aponta soluções cruciais.
As Infecções Comuns que Podem Ser Fatais
Cinara Feliciano detalha os tipos de infecções rotineiras que, subestimadas, podem evoluir para quadros graves. Entre os exemplos mais frequentes estão as infecções respiratórias, como gripes e sinusites. Embora pareçam inofensivas, elas podem progredir para pneumonias ou até infecções generalizadas, sendo causadas tanto por vírus (como o influenza) quanto por bactérias.
Outro grupo de risco são as diarreias, provocadas por diversos agentes infecciosos. Quando acometem crianças muito pequenas ou idosos, podem levar a desidratação grave e outras complicações potencialmente fatais. Infecções de pele ou feridas, principalmente em pacientes com diabetes mal controlado, também representam um perigo significativo. Por fim, infecções dentárias ou de gengiva, muitas vezes negligenciadas, podem evoluir para problemas mais profundos e sérios.
O Papel Indispensável da Vacinação
A professora da USP é enfática sobre a importância da imunização. Para ela, é impossível discutir a prevenção dessas mortes sem ressaltar a necessidade de manter a carteira de vacinação em dia para todas as faixas etárias. No caso da gripe, a vacinação é essencial para grupos de risco, prevenindo quadros de influenza que podem culminar em infecções pulmonares e complicações graves.
Para as diarreias, a vacina contra o rotavírus, parte do calendário infantil, é crucial para prevenir casos severos na infância. A vacinação em massa tem um histórico comprovado de erradicar ou quase eliminar doenças, mostrando seu poder de transformação na saúde pública.
Além da Vacina: A Busca por Ajuda e o Tratamento Correto
A prevenção de desfechos trágicos vai além da vacinação. Cinara Feliciano aconselha veementemente a procurar um serviço de saúde assim que algo parecer errado, sem esperar por uma melhora espontânea. O diagnóstico precoce e o início rápido do tratamento são fundamentais.
É vital seguir as recomendações médicas até o fim e, acima de tudo, evitar a automedicação, especialmente com antibióticos. A orientação de profissionais de saúde e a atenção às informações de órgãos competentes e confiáveis são aliadas poderosas. Além disso, cada indivíduo deve estar atento às suas próprias condições de saúde, buscando ajuda profissional sempre que necessário.
Erradicação vs. Controle: O Caminho para Salvar Vidas
Embora algumas doenças tenham sido eliminadas ou quase erradicadas graças às campanhas de vacinação, a professora explica que nem todas as infecções podem ser completamente eliminadas, dada a natureza de bactérias e vírus. No entanto, o objetivo deve ser sempre diminuir o número de casos e, crucialmente, evitar as mortes.
A vacinação, o diagnóstico e atendimento precoces, e a adesão rigorosa aos tratamentos orientados são as ferramentas mais eficazes para impedir que doenças comuns se tornem fatais e continuem a se disseminar. A vigilância constante e a colaboração entre pacientes e profissionais de saúde são a chave para proteger a vida e a saúde da população.
Fonte: jornal.usp.br
