Impacto Diferenciado por Setor
A reforma tributária do consumo trará impactos distintos para os pequenos negócios, com setores como varejo e indústria tendendo a sentir menos as mudanças. Isso ocorre devido às suas longas cadeias de compra e venda, que naturalmente geram créditos tributários e diluem o imposto ao longo do processo. No entanto, o setor de serviços e a construção civil enfrentam um cenário mais desafiador.
Serviços e Construção Civil em Alerta
Esses segmentos operam com cadeias de suprimentos mais curtas e com a mão de obra como principal custo. Como a mão de obra não gera crédito tributário, o imposto tende a se concentrar na ponta, pressionando margens e preços. Profissionais liberais, desenvolvedores e arquitetos, por exemplo, têm poucos insumos que geram crédito, o que pode tornar seus serviços menos atrativos para empresas que valorizam a compensação tributária.
Na construção civil, a fragmentação da cadeia produtiva e a forte dependência de serviços intensificam esse efeito. Especialistas alertam que a nova lógica do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) pode elevar significativamente os custos, chegando a aumentar o custo total das obras em até 20%, exigindo uma revisão nos modelos de precificação e negociação.
Simples Híbrido e a Necessidade de Planejamento
Para mitigar esses efeitos, a reforma introduz o Simples Híbrido, que permite aos contribuintes do Simples Nacional a opção de apurar os novos tributos pelo regime regular quando for mais vantajoso. Essa flexibilidade possibilita a geração integral de crédito para os clientes e a tomada de crédito de insumos. Contudo, a escolha do regime tributário exigirá decisões semestrais antecipadas (em março e setembro), demandando um planejamento estratégico para projetar cenários futuros, avaliar mudanças no perfil de clientes e estimar impactos em preços, margens e competitividade.
Competitividade Além do Preço Nominal
A reforma tributária altera a dinâmica da competitividade, pois a decisão de contratação não se baseará apenas no preço nominal, mas no custo final após o aproveitamento do crédito tributário. Pequenos empresários que já enfrentam dificuldades na formação de preços corretos precisarão redobrar a atenção. A recomendação é mapear os tipos de clientes, entender quem pode se apropriar do crédito tributário e simular diferentes cenários de precificação e modelos de negócio. Alinhar preço, perfil de cliente e regime tributário à estratégia de crescimento será essencial para evitar a perda de margens, contratos e sustentabilidade a longo prazo.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


