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Mulheres na Cartografia: Da “Paisagem Feminina” ao GPS, a História Secreta da Criação de Mapas que Moldou o Mundo

A “Paisagem Feminina”: Deusa Mãe a Nações Personificadas

Por séculos, a Terra foi representada como uma figura feminina, a “Mãe Terra” ou “Mãe Natureza”, presente em diversas culturas indígenas como fonte de vida. Essa personificação feminina foi ressignificada com o nacionalismo, onde a “pátria” e a “terra natal” ganharam contornos de gênero. No período entre os séculos XVI e XIX, mapas antropomórficos usavam figuras femininas para representar nações europeias, como no famoso “Europa Regina”, onde a Europa era retratada como uma rainha. Esses mapas não apenas refletiam a geopolítica da época, mas também estereótipos culturais associados a cada país, definindo-os como ativos ou passivos no cenário mundial.

Inovações Ocultas: Bordados, Bordas e o Surgimento do GPS

Apesar da associação masculina com a cartografia, as contribuições femininas são vastas e antigas. Um dos primeiros registros data do século IV, com uma irmã de primeiro-ministro chinês bordando um mapa em seda. Nos séculos XV e XVI, mulheres eram contratadas para colorir mapas e adicionar detalhes artísticos, muitas vezes assinando apenas com iniciais para ocultar seu gênero. A invenção da impressão no século XVIII abriu portas para mulheres como gravadoras, editoras e fabricantes de globos. Na Segunda Guerra Mundial, “Millie, a cartógrafa” e as “donzelas do mapeamento militar” foram cruciais na produção de mapas topográficos e interpretação de fotografias aéreas. Na década de 1950, Evelyn Pruitt cunhou o termo “sensoriamento remoto”, enquanto a matemática Gladys West desenvolveu os modelos matemáticos que possibilitaram o GPS, tecnologia essencial para a navegação moderna.

Mulheres no Comando: De Sociedades Matriarcais a Atlas Nacionais

O poder feminino na cartografia transcende a criação técnica. Sociedades matriarcais indígenas utilizavam formas não convencionais de mapeamento, como canções, danças e rituais, para transmitir informações espaciais sobre recursos e rotas. Durante a Era dos Descobrimentos, mulheres frequentemente assumiam a liderança de negócios cartográficos após a morte de seus maridos, garantindo a continuidade do conhecimento. Não apenas reis, mas também rainhas, como Elizabeth I da Inglaterra, encomendavam atlas nacionais, como o de 1579, que oferecia uma visão completa do país.

O Futuro do Mapeamento: Empoderamento e Lacunas de Dados

Atualmente, a cartografia contemporânea revela uma nova dinâmica: a falta de dados geográficos sobre questões cruciais para as mulheres, como saúde, segurança e planejamento familiar. Desastres naturais, por exemplo, afetam desproporcionalmente as mulheres, aumentando o risco de violência de gênero. Para preencher essas lacunas, movimentos como a African Women in GIS, GeoChicas e YouthMappers’ Let Girls Map empoderam mulheres com treinamento e tecnologia, promovendo a inclusão digital e a criação de mapas que reflitam suas necessidades específicas. Organizações como Women in GIS e Women+ in Geospatial fortalecem redes profissionais, enquanto a Equipe Humanitária OpenStreetMap amplifica suas vozes. Nunca houve tantas oportunidades para as mulheres na criação de mapas, e seu papel nunca foi tão vital para enfrentar os desafios globais.

Fonte: super.abril.com.br

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