O professor Celso Pupo Pesce, da Escola Politécnica (EP) da Universidade de São Paulo (USP), recebeu uma significativa homenagem da American Society of Mechanical Engineers (ASME), uma das mais antigas e respeitadas organizações globais em engenharia. O reconhecimento celebra suas importantes contribuições para a engenharia oceânica e offshore, um campo vital para o design, construção e manutenção de estruturas e sistemas no mar, como plataformas de petróleo, navios, portos, turbinas eólicas offshore e equipamentos submarinos, sempre considerando segurança, resistência a condições climáticas adversas e eficiência em ambientes marítimos.
A honraria da ASME destaca os seis anos de dedicação do professor Pesce ao comitê executivo da Divisão de Engenharia Oceânica, Offshore e Ártica (OOAE), onde ele inclusive atuou como presidente entre 2024 e 2025. Esta divisão é a força motriz por trás da International Ocean, Offshore and Arctic Engineering Conference (OMAE), um evento que congrega cerca de mil especialistas globalmente. Pesce tem sido um participante ativo da OMAE por mais de 25 anos. “A American Society of Mechanical Engineers é uma das mais antigas do mundo nesta categoria, fundada em 1880, e tem alcance global, com milhares de membros em todo o mundo. Essas sociedades profissionais também têm um forte papel no desenvolvimento científico e tecnológico. É uma associação muito forte e apoia estudos acadêmicos através de bolsas e prêmios”, ressaltou Pesce.
Engajamento Acadêmico e Internacionalização
Pesce enfatiza que a participação ativa em instituições como a ASME é uma forma crucial de extensão universitária e internacionalização. “Isso é muito importante não apenas para a carreira do professor, mas também para a graduação e pós-graduação, pois estabelece contatos internacionais e promove o nome de sua universidade, especialmente quando o pesquisador participa de grupos de trabalho e comitês”, explicou. A edição de 2026 da conferência OMAE será realizada em Tóquio, com o professor da USP atuando como presidente do comitê técnico-científico do programa. Este ano, um simpósio especial será realizado em homenagem a Kazuo Nishimoto, também professor da EP.
Pioneirismo Brasileiro na Engenharia Oceânica
O professor relata que a EP da USP abriga diversos grupos de pesquisa que contribuem ativamente para a divisão de engenharia oceânica da ASME. Esses grupos, que surgiram entre as décadas de 1980 e 1990, tiveram um papel fundamental no desenvolvimento da área no Brasil, colaborando com a Petrobras em projetos de pesquisa e desenvolvimento e dando origem a laboratórios especializados, como o Laboratório de Mecânica Offshore e o Tanque de Provas Numérico. “Acompanhando os desenvolvimentos na exploração de petróleo e gás offshore no Brasil, Clóvis de Arruda Martins e eu, junto com outros colegas do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), começamos a trabalhar nesta área no final da década de 1970, quando a exploração de petróleo offshore era realizada em profundidades de cerca de 50 metros. Hoje são 2.500 metros ou mais. Acompanhamos e participamos do desenvolvimento de tudo isso nos últimos 45 anos”, detalhou Pesce.
Reconhecimento Global e Contribuição Nacional
A tradição e as contribuições dos pesquisadores brasileiros para o desenvolvimento da engenharia offshore conferem ao país um reconhecimento técnico e científico significativo nas conferências da área. Pesce destaca que a delegação brasileira não apenas apresenta contribuições relevantes, mas também é expressiva em número de participantes, representando aproximadamente 10% do total de especialistas presentes na OMAE. Esse cenário reforça a posição do Brasil como um polo de excelência e inovação na engenharia oceânica global, consolidando a relevância da pesquisa nacional no cenário internacional.
Fonte: jornal.usp.br
