A Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da Universidade de São Paulo (USP) inicia um novo ciclo administrativo. No dia 23 de janeiro de 2026, os professores Sérgio de Albuquerque e Patrícia Maria Berardo Gonçalves Maia Campos assumiram, respectivamente, os cargos de diretor e vice-diretora da unidade para o quadriênio 2026-2030, sucedendo os professores Sérgio Akira Uyemura e Mônica Tallarico Pupo. Com uma trajetória consolidada na instituição, Albuquerque já havia dirigido a FCFRP entre 2010 e 2014, e ambos os docentes chegam defendendo a continuidade de um trabalho pautado no diálogo e na prioridade à graduação.
Em entrevista ao Jornal da USP, o diretor destacou que a essência da nova gestão será uma abordagem humanizada e transparente, que se traduz em uma abertura constante ao diálogo. “Uma gestão humanizada e aberta é a nossa intenção. Aberta no sentido de que nós pretendemos ouvir todo mundo, independente de ser docente, servidor ou aluno”, afirmou Albuquerque, enfatizando que essa escuta ativa é uma forma de respeito institucional. Ele reforçou que essa postura não representa uma ruptura, mas sim uma evolução de práticas já estabelecidas na faculdade.
Graduação: Eixo Central com Currículo Inovador
A graduação foi definida como o principal foco de atuação da nova gestão, recebendo os primeiros esforços. “A graduação sempre vai ser a prioridade de qualquer gestor. Ela é uma atividade-fim da universidade, mas é o setor que apresenta maior necessidade de cuidados da gestão”, explicou Albuquerque. Um dos pilares dessa prioridade é a consolidação da estrutura curricular modular, implementada em 2017. Esse modelo rompeu com a lógica fragmentada do ensino, integrando disciplinas em módulos temáticos. O diretor exemplificou: “Ao invés do aluno ver anatomia, histologia e fisiologia separadas, ele vê tudo integrado em um único módulo.” Para garantir a atualização constante do curso, a gestão planeja workshops anuais de avaliação, reunindo docentes, alunos e funcionários para discutir conteúdos e as necessidades do mercado de trabalho.
Acolhimento e Internacionalização para o Estudante
A inclusão e a permanência estudantil são temas centrais, com destaque para o papel da psicopedagogia no apoio aos alunos. Albuquerque ressaltou que a inclusão vai além da dimensão social, abrangendo estudantes com dificuldades de aprendizagem, autismo, TDAH e outras neurodivergências. Com o aumento do acesso à universidade, a demanda por esse suporte tem crescido, e a gestão busca ampliar a estrutura de apoio. Paralelamente, a internacionalização da graduação, ainda em fase inicial, será impulsionada. A meta é focar em universidades de países de língua latina, aproveitando a compatibilidade do novo currículo com modelos europeus. O objetivo é proporcionar aos alunos uma vivência institucional e cultural, para além da pesquisa.
Pós-Graduação, Pesquisa e Tecnologia na FCFRP
Na pós-graduação, a FCFRP mantém três programas de excelência, com notas 6 e 7 na última avaliação. Contudo, a gestão reconhece uma redução geral no interesse por pós-graduações. A estratégia será valorizar e incentivar a busca por esses programas, mostrando sua importância tanto para a carreira acadêmica quanto para o mercado de trabalho. A possibilidade de implementar um mestrado profissional, já tentada na gestão anterior de Albuquerque, volta a ser considerada. Na área de pesquisa, o plano inclui a criação de um centro unificado para equipamentos multiusuários, otimizando recursos e serviços. Essa reorganização será facilitada pela construção de um novo prédio administrativo, que liberará espaços para ambientes didáticos e facilities de pesquisa.
A modernização administrativa e a aplicação da tecnologia fecham o ciclo de prioridades. A proposta é utilizar inteligência artificial para otimizar fluxos de trabalho, buscando mais agilidade, menos retrabalho e redução do estresse dos funcionários. Além disso, a tecnologia será integrada à sala de aula, incentivando o uso correto e ético da inteligência artificial pelos alunos e promovendo sua aceitação pelo corpo docente.
Fonte: jornal.usp.br
