Inovação da USP Otimiza Produção de Ácidos Ferúlico e p-Cumárico para Cosméticos, Alimentos e Nutracêuticos com Processo Sustentável
Pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP desenvolvem método de encapsulamento em única etapa, reduzindo custos, toxicidade e ampliando o uso de potentes antioxidantes.
A indústria cosmética, nutracêutica e alimentícia pode se beneficiar de um novo processo desenvolvido por pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP. O método inovador permite a obtenção e encapsulamento de ácidos ferúlico e p-cumárico de forma mais eficiente, sustentável e com menor toxicidade, facilitando sua aplicação em uma vasta gama de produtos.
Conhecidos por seu potencial antioxidante, anti-inflamatório e fotoprotetor, esses ácidos são ingredientes valiosos em produtos antiaging, loções, séruns e suplementos. Eles também são alvo de estudos como potenciais agentes terapêuticos para diversas doenças crônicas.
O Potencial dos Ácidos Ferúlico e p-Cumárico
Alana Mesquita, uma das cientistas envolvidas na pesquisa, destaca a versatilidade desses compostos. Segundo ela, embora o ácido ferúlico seja mais comum em séruns antiaging e uniformizadores de tom de pele, ambos possuem um vasto potencial. “Eles são antioxidantes, antimelanogênicos, que são clareadores de manchas, eles potencializam efeito de fotoprotetores, eles também podem regular o nível de glicose, colesterol no sangue, então eles têm muitas aplicações, por isso que variam desde cosméticos até nutracêuticos, até na indústria de alimentos eles têm um potencial muito grande para ser explorado”, explica a pesquisadora.
Nova Tecnologia de Encapsulamento Simplificada
A inovação reside no método de encapsulamento dos ácidos em micelas poliméricas – moléculas que atuam como envoltórios, garantindo a estabilidade e a atividade dos compostos. O grande diferencial é a capacidade de extrair e encapsular esses ácidos em uma única etapa, resultando em uma base pronta para aplicação direta.
Alana Mesquita detalha o processo: “A gente conseguiu extrair e encapsular esses ácidos em uma única etapa. Nesse processo, a gente já tem uma base pronta para ser aplicada diretamente em pós-médicos ou em suplementos alimentares. Em vez de usar solventes orgânicos e muitas etapas de processamento, removemos os solventes orgânicos e usamos o copolímero, que seria como um solvente mais amigável”. Essa abordagem não apenas reduz o número de etapas e custos, mas também diminui a toxicidade do processo, permitindo o uso combinado dos dois ácidos.
Sustentabilidade e Próximos Passos
Além da eficiência, o novo método promove a sustentabilidade ao permitir a extração dos ácidos da palha de arroz, um subproduto da indústria. “Quando você obtém esses ácidos que podem ser aplicados em produtos de alto valor, como cosméticos, a gente traz essa valorização, o mercado ganharia com isso também”, comenta Alana.
Atualmente, a tecnologia se encontra no nível de maturidade tecnológica TRL5. A fase de caracterização do gel obtido está em andamento, analisando seu potencial antioxidante, antimelanogênico e suas características geológicas. Os próximos passos incluem o aumento de escala da produção e a realização de testes clínicos, aproximando a descoberta do mercado para beneficiar consumidores e indústrias.
Fonte: jornal.usp.br


