Italiano, Dialetos e Línguas Estrangeiras: A Evolução Fascinante da Fala na Itália
O relatório do Istat revela um cenário linguístico em transformação, com o italiano ganhando espaço, os dialetos recuando e o aprendizado de idiomas estrangeiros em alta.
Ao visitar a Itália, a riqueza linguística é uma das primeiras características que chama a atenção. Longe de uma uniformidade, o país ostenta uma tapeçaria de dialetos regionais, cada um com sua história e identidade. No entanto, os dados mais recentes do Istituto de Estatística (Istat) apontam para uma mudança significativa na forma como os italianos se comunicam.
O Crescimento do Italiano como Língua Comum
Em 2024, quase metade da população italiana com mais de seis anos (48,4%) declara usar o italiano exclusiva ou predominantemente em todas as situações, seja em casa, com amigos ou com desconhecidos. Este número representa um aumento considerável em relação a 2015, quando essa proporção era de 40,6%. O italiano se consolida, assim, como a língua franca do cotidiano, especialmente em interações fora dos círculos mais íntimos.
O Recuo dos Dialetos e Suas Novas Funções
O declínio no uso dos dialetos é ainda mais acentuado quando se observa um período mais longo. Em 1988, 32% dos italianos se comunicavam principalmente em dialeto em família. Atualmente, essa porcentagem caiu para 9,6%. O uso do dialeto entre amigos também diminuiu significativamente, de 26,6% para 8%, e com desconhecidos, de 13,9% para apenas 2,6%. Hoje, cerca de 42% da população ainda utiliza o dialeto em pelo menos um contexto, geralmente alternando com o italiano, principalmente em ambientes domésticos e entre amigos próximos. Falar exclusivamente dialeto em todas as situações tornou-se algo residual, com apenas 2,3% da população.
A Ascensão das Línguas Estrangeiras
Paralelamente à consolidação do italiano e ao recuo dos dialetos, observa-se um aumento expressivo no conhecimento de línguas estrangeiras. Sete em cada dez italianos (69,5%) afirmam conhecer ao menos um idioma estrangeiro, um avanço de mais de nove pontos percentuais desde 2015. O inglês lidera a lista, com 58,6% de conhecimento, seguido pelo francês (33,7%) e pelo espanhol (16,9%). Apesar desse crescimento, o nível de proficiência ainda é considerado limitado, com mais da metade dos falantes declarando ter, no máximo, um conhecimento “suficiente” da língua que melhor dominam.
Fatores por Trás da Mudança Linguística
Essa evolução linguística é reflexo de profundas transformações sociais. Percursos educacionais mais longos, maior mobilidade geográfica, contato internacional e uma sociedade cada vez mais integrada contribuem para essas mudanças. Curiosamente, o aumento da população estrangeira na Itália não alterou significativamente o quadro geral, pois muitos imigrantes e seus descendentes acabam adotando o italiano como língua principal. O resultado é um país que adota uma língua comum, mas que não abandona suas raízes. Os dialetos permanecem como um valioso patrimônio cultural, um elo com a memória familiar e uma expressão afetiva, moldando a identidade plural da Itália contemporânea.
Fonte: jornalitalia.com


