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O corpo que ensina: visibilidade trans e a insurgência pedagógica

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"title": "A Potência do Corpo que Ensina: Visibilidade Trans e a Insurgência Pedagógica na USP com a Professora Gabrielle Weber",
"subtitle": "Do renascimento público à transformação do ensino, a docente da EEL-USP aborda a importância de integrar a identidade e a vivência na construção do saber acadêmico.",
"content_html": "<h1>A Potência do Corpo que Ensina: Visibilidade Trans e a Insurgência Pedagógica na USP com a Professora Gabrielle Weber</h1><h2>Do renascimento público à transformação do ensino, a docente da EEL-USP aborda a importância de integrar a identidade e a vivência na construção do saber acadêmico.</h2><p>O 29 de janeiro, Dia da Visibilidade Trans, marca para a professora Gabrielle Weber, da Escola de Engenharia de Lorena (EEL) da USP, não apenas uma celebração coletiva, mas também seu renascimento público. Em 2019, foi nesta data que seu nome social foi oficialmente inserido no sistema de recursos humanos da universidade, permitindo-lhe assumir sua identidade de forma plena. Esse momento, contudo, foi o ponto de partida para uma jornada ainda mais profunda: a transformação radical de sua prática pedagógica.</p><h3>A Crítica à Pedagogia Tradicional e a Passividade Discente</h3><p>Um dos maiores desafios na docência é converter a sala de aula em uma verdadeira comunidade pedagógica, onde docentes e discentes compartilham a responsabilidade pela construção do conhecimento. Romper com a chamada 'pedagogia bancária', em que o professor deposita informações e os alunos as recebem passivamente, exige um esforço consciente para engajá-los ativamente em sua própria educação.</p><p>A passividade estudantil, longe de ser inata, é um comportamento dolorosamente construído ao longo da vida acadêmica. A curiosidade é frequentemente podada e as vozes, silenciadas, moldando estudantes que se convencem de sua suposta falta de autoridade intelectual. Reconhecer essa artificialidade do modelo tradicional é o primeiro passo para desmantelar suas estruturas e, gradualmente, restituir a confiança dos alunos em suas próprias falas e questionamentos.</p><h3>O Poder do Conhecimento Experiencial na Sala de Aula</h3><p>Em sua obra "Ensinando a Transgredir", bell hooks discute a necessidade de promover uma responsabilidade recíproca pelo aprendizado. Ela e o filósofo Ron Scapp exploram como superar o medo que leva os estudantes a resistirem a práticas pedagógicas libertadoras. hooks sugere que a mobilização das experiências pessoais atua como um poderoso catalisador nesse processo. Ao reconhecer as subjetividades, desestabiliza-se a cisão artificial entre corpo e mente, aproximando-nos dos "saberes situados" de Donna Haraway – a compreensão de que todo conhecimento é produzido a partir de um lugar específico, refutando a ilusão de neutralidade.</p><h3>O Corpo como Ferramenta de Ensino e a Ruptura com Máscaras</h3><p>Apesar de seu potencial disruptivo, o conhecimento experiencial raramente é legitimado na sala de aula. Cabe à professora, portanto, usar sua voz e autoridade para validá-lo. Para isso, é preciso abdicar da segurança da 'máscara' e do distanciamento do palanque, levando o corpo para dentro da sala de aula e utilizando-o como instrumento pedagógico.</p><p>Para Gabrielle, essa abordagem era impensável antes de sua transição. O medo de revelar o que mal ousava admitir para si mesma, somado à sensação de não possuir legitimidade para falar nem como homem cis-heteronormativo, nem como travesti lésbica, criava um duplo vínculo que a silenciava e a tornava, ainda que involuntariamente, colaboradora de um sistema opressor.</p><h3>Transição: Um Ato de Insurgência Pedagógica</h3><p>Sob essa ótica, a transição de Gabrielle Weber foi um ato de insurgência pedagógica. Ela não apenas perdeu o "privilégio" de negar seu corpo, mas também não desejava mais fazê-lo. A necessidade de levar sua identidade, com todas as suas contradições e provocações, para a sala de aula tornou-se imperativa. Trabalhar com, através e contra os limites de seu corpo foi um longo processo de aprendizado pessoal, que ela faz questão de compartilhar com suas alunas.</p><p>Pôde, enfim, contar suas histórias e mostrar como sua vivência estava intrinsecamente ligada ao conhecimento matemático que, simultaneamente, desafiava as estudantes a dominarem e as convidava a questionarem. Mais do que isso, exemplificou como a matemática a ajudava a entender sua vivência e como sua vivência a auxiliava a contextualizar a matemática.</p><p>Que o Dia da Visibilidade Trans sirva como uma provocação para que todas nós, pessoas trans e cis, consideremos como nossas identidades nos atravessam em todos os nossos posicionamentos, seja na vida pessoal ou profissional. Nossas experiências moldam o que sabemos e como sabemos. Que seja um lembrete constante de que todo conhecimento possui corpo, e todo corpo é território de conhecimento.</p>"
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Fonte: jornal.usp.br

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