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Má Nutrição no Brasil: Estudo da USP Desvenda Relações Socioculturais e Econômicas por Trás da Desigualdade Alimentar

Um estudo abrangente da Universidade de São Paulo (USP) lança luz sobre a complexa teia de relações socioculturais e econômicas que impulsionam a má nutrição no Brasil. A pesquisa, que analisou dados de 2006 a 2021, revela que a obesidade e a desnutrição não são meras escolhas individuais, mas reflexos de profundas desigualdades sociais, atingindo diferentes grupos da população de maneiras distintas.

O que é a má nutrição?

A pesquisadora Claudia Cristina Vieira Pastorello, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Nutrição e Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da USP e responsável pelo estudo, esclarece que a má nutrição é um conceito amplo. ‘É um termo guarda-chuva que engloba tanto a desnutrição – como baixo peso e magreza – quanto a obesidade e o excesso de peso’, explica Pastorello. Segundo ela, ambas as condições são geradas pela insegurança alimentar e nutricional, sendo a obesidade, apesar de parecer contraintuitiva, também uma forma de insegurança nutricional.

Desigualdades Reveladas: Quem é Mais Afetado?

Os resultados do estudo, que utilizou dados sociodemográficos públicos do Brasil (incluindo a série histórica do Vigitel e a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019), evidenciam como a má nutrição impacta as populações vulneráveis de forma variada. No contexto da obesidade, o levantamento aponta que as mulheres negras (pretas e pardas) com menor renda e escolaridade são as mais afetadas no Brasil.

Curiosamente, o cenário se inverte entre os homens: aqueles de raça negra, menor renda e escolaridade apresentaram menor prevalência de obesidade. ‘Isso pode ser um indicativo de que essa vulnerabilidade dentro da má nutrição atinge diferentes populações’, comenta a pesquisadora. Além disso, a desnutrição, embora em baixa prevalência, mostrou uma leve regressão entre homens pardos, sugerindo uma atenção a esses subgrupos.

Além da Escolha Individual: O Papel do Sistema

Pastorello enfatiza que a obesidade, tanto no Brasil quanto globalmente, não pode ser reduzida a escolhas pessoais, falta de informação ou comportamentos inadequados. ‘Ela é consequência populacional direta de um sistema alimentar desigual, de políticas públicas que falharam em garantir de forma plena e justa direitos à alimentação adequada e saudável da população’, afirma.

A pesquisadora ressalta que o crescimento contínuo da obesidade ao longo de 15 anos, mesmo com uma desaceleração, ainda persiste. Esses dados mostram que o ambiente em que as pessoas vivem, trabalham, como elas se deslocam e se alimentam, está estruturado de forma desigual.

A pesquisa da USP reforça a urgência de políticas públicas que abordem as raízes estruturais da má nutrição, indo além das campanhas de conscientização individual e focando na promoção de um sistema alimentar mais justo e equitativo para todos os brasileiros.

Fonte: jornal.usp.br

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