A História Real Por Trás do Hit “Taj Mahal” de Jorge Ben Jor: Amor, Luto e o Monumento Lendário
Descubra o romance épico do imperador Shah Jahan e Mumtaz Mahal, que inspirou uma das maravilhas do mundo, e desvende o mistério do nome “Ilyiu Mahal” na canção.
A melodia contagiante de “Taj Mahal”, de Jorge Ben Jor, embala multidões com seu famoso “teretereterê”. No entanto, por trás da folia, reside uma história de amor e luto que inspirou um dos monumentos mais icônicos do planeta. A canção faz referência à “linda história de amor do príncipe Shah Jahan e a princesa Ilyiu Mahal”, mas a realidade histórica revela nuances fascinantes sobre o casal e o imperador que se tornou um dos maiores edificadores da Índia.
Shah Jahan: De Príncipe Sanguinário a Imperador “Rei do Mundo”
A história de Shah Jahan, cujo nome de nascimento era príncipe Khurram, é marcada por reviravoltas. Terceiro filho do imperador do Reino Mongol, Jahangir, Khurram ascendeu ao trono em 1628 após uma disputa sangrenta pela sucessão, que incluiu a execução de um irmão, dois sobrinhos e dois primos. Ao se tornar imperador, adotou o grandioso título de Abu ud-Muzaffar Shihab ud-Din Mohammad Sahib ud-Quiran ud-Thani Shah Jahan Padshah Ghazi, mas era mundialmente conhecido como Shah Jahan, que significa “rei do mundo”.
Mumtaz Mahal: O Amor da Vida do Imperador e a Imperatriz Poderosa
Anos antes de sua ascensão ao trono, em 1612, o príncipe Khurram casou-se com Arjumand Banu Begum, uma jovem de origem persa. Embora tenham tido um noivado prévio na adolescência, a união oficial só ocorreu em data considerada auspiciosa pelos astrólogos da corte. Durante o período de espera, Khurram casou-se e teve uma filha com outra mulher, em uma união de caráter político. No entanto, foi com Arjumand Banu Begum que ele viveu um amor profundo e que moldaria seu legado.
Com a morte do imperador Jahangir e a coroação de Shah Jahan, Arjumand Banu Begum tornou-se Mumtaz Mahal, que pode ser traduzido como “a eleita do palácio”. A imperatriz não era apenas uma figura decorativa; possuía considerável poder político e era uma conselheira frequente para o imperador. Juntos, tiveram 14 filhos, dos quais sete sobreviveram. Mumtaz Mahal era tão amada e influente que, mesmo com outras esposas vivas, sua filha mais velha, Jahanara, foi nomeada primeira-dama após a morte da mãe, assumindo importantes funções governamentais.
O Mistério de “Ilyiu Mahal” e o Monumento ao Luto
Uma curiosidade na canção de Jorge Ben Jor é a menção à princesa “Ilyiu Mahal”, em vez de Mumtaz Mahal. Não há registros históricos que indiquem que Mumtaz Mahal fosse conhecida por esse nome. A discrepância pode ter sido um engano na época da composição, dada a ausência de recursos de pesquisa instantânea, ou uma escolha estilística para a sonoridade da música.
A trágica morte de Mumtaz Mahal ocorreu em 1631, durante o 14º parto, aos 38 anos, devido a uma hemorragia. Sua perda devastou Shah Jahan, que mergulhou em um luto profundo, descrito como “paralisado pelo luto” e com constantes crises de choro. A filha Jahanara, com apenas 17 anos, também foi profundamente afetada, chegando a distribuir joias aos pobres em busca de consolo.
Foi desse imenso sofrimento que nasceu a inspiração para o Taj Mahal, cujo nome pode ter se originado como uma abreviação de “Mumtaz”. O monumento, na verdade, é um suntuoso mausoléu de mármore, encomendado por Shah Jahan no mesmo ano da morte de sua amada. A construção, que se estendeu por anos, finalizando-se em 1653, abrange 17 hectares e abriga o corpo da imperatriz. Em 1658, contra sua vontade, Shah Jahan também foi sepultado ao lado dela, em uma demonstração final de seu amor eterno.
Apesar de sua grandiosidade, o islamismo, religião do casal e do Reino Mongol, restringe decorações em túmulos. Assim, os corpos de Shah Jahan e Mumtaz Mahal repousam em uma cripta discreta, com os rostos voltados para Meca, em um testemunho silencioso de um amor que transcendeu o tempo e inspirou uma das mais belas construções da humanidade.
Fonte: super.abril.com.br


