Aumento de Acidentes e Vítimas em Rodovias Federais
As rodovias federais brasileiras registraram um pico de acidentes em 2024, com um aumento preocupante no número de mortes e feridos graves. Dados da Fundação Dom Cabral, baseados em informações do DNIT e da PRF, mostram que, após uma queda em 2020 devido à pandemia, os sinistros voltaram a crescer. Em 2024, foram contabilizados 56.117 acidentes, resultando em 4.995 mortes e 15.916 feridos graves. O professor Paulo Resende, da FDC, atribui esse crescimento ao aumento do volume de tráfego pós-pandemia, sem que houvesse melhorias estruturais significativas nas rodovias para acomodar esse fluxo.
BR-116 Lidera Ranking de Periculosidade
A BR-116 se destaca como a rodovia com o maior número de acidentes em 2024, registrando 10.353 ocorrências. Paulo Resende explica que a severidade dos acidentes nesta via se deve às suas características variadas. Enquanto trechos como a Via Dutra (entre São Paulo e Rio de Janeiro) apresentam boas condições, outras partes da BR-116 se assemelham a ruas urbanas esburacadas, sem duplicação e com sinalização precária. Essas condições, somadas à mistura de tráfego urbano e de longa distância, pedestres e acessos não controlados, criam um cenário de alto risco.
Surpresas nas Estatísticas: Dia, Retas e Céu Claro
Contrariando a percepção popular, a maioria dos acidentes em rodovias federais em 2024 ocorreu durante o dia (54,7%), em trechos retos (64,48%) e com céu claro (59,37%). Especialistas apontam que a confiança excessiva em condições aparentemente seguras pode levar os motoristas a aumentar a velocidade e, consequentemente, o risco. À noite, a redução do tráfego e a maior atenção dos condutores tendem a diminuir a incidência de acidentes, apesar da crença comum de que a escuridão é o fator mais perigoso.
Pistas Simples e Velocidade: Fatores Críticos
A pesquisa também reforça que rodovias de pista simples são significativamente mais perigosas, concentrando mais da metade dos acidentes (52,38%). A ausência de separação física entre as mãos de direção em pistas simples, aliada à velocidade em retas, aumenta drasticamente o risco de colisões frontais, que são as mais severas. A combinação de pista simples, curvas fechadas, pouca visibilidade e colisão frontal à noite é apontada como a mais fatal. O período de 15 de dezembro a 15 de janeiro é considerado crítico, exigindo atenção redobrada devido ao aumento do tráfego de férias e à mistura de motoristas com diferentes níveis de experiência e pressa.
Fonte: quatrorodas.abril.com.br


