Marty Supreme: A Saga Real do “Bad Boy” do Tênis de Mesa que Inspirou Timothée Chalamet
O filme “Marty Supreme”, estrelado por Timothée Chalamet, mergulha no universo fascinante e turbulento de Marty Reisman, o icônico “Bad Boy” do tênis de mesa. Lançado recentemente nos cinemas brasileiros, o longa já acumula reconhecimento, incluindo oito indicações ao Oscar de 2026. Mas o que nessa história é real e o que é fruto da ficção?
O Legado de um Gênio Provocador
Timothée Chalamet interpreta Marty Mauser, um jogador de tênis de mesa nova-iorquino que navega entre torneios oficiais e partidas clandestinas por dinheiro. O filme se inspira na vida de Marty Reisman, um dos maiores nomes do tênis de mesa mundial, vencedor de 22 títulos entre 1946 e 2002, e em sua autobiografia, “The Money Player”. O diretor Josh Safdie foi tocado pela obra, descrevendo o livro como uma janela para uma “subcultura esquecida e extremamente vibrante de desajustados, obsessivos, malandros e sonhadores de Nova York”.
A Verdadeira História de Marty Reisman
Nascido em 1930, Marty Reisman encontrou no tênis de mesa uma forma de lidar com a ansiedade após um “colapso nervoso” aos 9 anos. Desde cedo, sua habilidade e comportamento nas partidas o destacaram. Conhecido como “a Agulha” por sua agilidade e “o Bad Boy do Tênis de Mesa”, Reisman provocava adversários e espectadores, uma tática que utilizava para manipular apostas, muitas vezes perdendo de propósito antes de reverter o jogo a seu favor. Sua audácia era lendária, como a vez em que tentou apostar 500 dólares em sua própria vitória em uma competição nacional, sem saber que o destinatário era o presidente da associação de tênis de mesa.
A Revolução da “Raquete Sanduíche” e a Resistência de Reisman
Um ponto crucial na carreira de Reisman, e que se tornou um motor na trama do filme, foi a introdução da “raquete sanduíche” em 1952. Essa inovação tecnológica, com camadas de espuma e borracha, revolucionou o esporte, tornando a bola mais rápida e imprevisível. Reisman, no entanto, indignado com a perda da cadência e da “conversa” tática do jogo, recusou-se a adotar o novo equipamento. Para ele, o tênis de mesa tradicional permitia um diálogo entre os jogadores, algo que a nova tecnologia, em sua visão, destruiu. O filme retrata essa aversão à inovação como um obstáculo para o protagonista.
Ficção e Realidade: Personagens e Tramas Inventadas
Embora inspirado em fatos reais, “Marty Supreme” adiciona elementos de ficção para enriquecer o drama. Personagens como Kay Stone (interpretada por Gwyneth Paltrow), a esposa de um magnata e estrela de cinema, e Milton Rockwell (Kevin O’Leary), o magnata das canetas-tinteiro, não possuem correspondentes diretos na vida de Marty Reisman. Essas figuras servem para aprofundar a exploração das ambições e da busca por status e riqueza. Personagens secundários como Rachel Mizler (Odessa A’zion) e Wally (Tyler, the Creator) também contribuem para a narrativa ficcional. No entanto, o início do filme, com o jovem Mauser trabalhando em uma loja de sapatos do tio, tem um fundo de verdade, já que Reisman de fato trabalhou em vendas de calçados, embora não nessas circunstâncias.
O “Golpista de Longa Data” e o Legado Duradouro
Marty Reisman viveu décadas imerso em um submundo de apostas e exibições. Definido como um “golpista de longa data”, ele usava sua astúcia para complementar a renda, jogando partidas de exibição e enganando amadores. Em suas próprias palavras, “Os jogadores de tênis de mesa precisam sobreviver com sua própria astúcia. Um jogador que dependesse de taxas de exibição poderia morrer de fome”. Ele administrou salões de tênis de mesa e atraiu figuras notáveis, como Dustin Hoffman e Bobby Fischer. Reisman também levou seus talentos para a televisão, protagonizando truques em programas como o de Johnny Carson. Faleceu em 2012, aos 82 anos, deixando um legado de competitividade e uma recusa em se deixar abater, como ele mesmo disse: “eu enfrentava as pessoas com espírito de gladiador. Nunca recuei de uma aposta.” Sua vitória no torneio nacional inaugural de hardbat nos EUA aos 67 anos reforçou a imagem de um competidor incansável.
Fonte: super.abril.com.br


