Avanço Histórico Após Dificuldades
Após um quarto de século de negociações, a União Europeia (UE) e os países do Mercosul selaram um acordo comercial histórico no último sábado. A nova zona de livre comércio engloba cerca de 700 milhões de pessoas e prevê a eliminação gradual de aproximadamente 90% das tarifas aduaneiras em setores como indústria, serviços e agricultura. A Comissão Europeia estima que essa medida gere uma economia anual de mais de 4 bilhões de euros para as empresas europeias.
Benefícios e Compromissos Mútuos
O acordo não se limita à redução de tarifas. Ele também inclui o reconhecimento de 344 indicações geográficas, protegendo produtos europeus contra imitações, e visa garantir o fornecimento de minerais essenciais, diminuindo a dependência da UE em relação à China. Além disso, os países do Mercosul se comprometeram a abrir seus mercados de contratos públicos para empresas europeias, oferecendo condições equivalentes às dos concorrentes locais.
Divisões Internas na UE
Apesar do avanço, o acordo gerou divisões significativas dentro do bloco europeu. Alemanha e Espanha lideram o grupo de países que defendem a importância de novos laços comerciais em um cenário global de protecionismo americano e políticas comerciais agressivas chinesas. Em contrapartida, a França lidera a oposição, expressando preocupações com a concorrência desleal que o acordo poderia impor aos seus agricultores. A França, no entanto, não conseguiu formar uma minoria de bloqueio para impedir a assinatura, perdendo o apoio da Itália, que garantiu financiamento para seus agricultores e isenção do imposto sobre carbono em fertilizantes.
Cláusulas de Salvaguarda e Limites nas Importações
Visando mitigar os receios, a França conseguiu incluir uma cláusula de salvaguarda que permite a reintrodução de tarifas caso as importações do Mercosul aumentem mais de 5% em setores considerados sensíveis. O acordo também estabelece limites para a importação isenta de impostos de produtos agrícolas chave, como carne bovina (99.000 toneladas anuais) e aves de capoeira (180.000 toneladas anuais), representando parcelas modestas da produção total da UE.
O Papel Crucial do Parlamento Europeu
Com a assinatura realizada, a responsabilidade agora recai sobre o Parlamento Europeu, que precisará ratificar o acordo. A votação promete ser acirrada, com eurodeputados ainda divididos, muitas vezes seguindo linhas nacionais. A oposição, liderada pela França, já sinalizou que pretende contestar o acordo judicialmente. Apesar das incertezas, os apoiadores do acordo esperam que o apoio dos governos da UE influencie os parlamentares indecisos, buscando viabilizar um aumento estimado de 39% nas exportações da UE para o Mercosul até 2040.
Fonte: pt.euronews.com


