Absolvição em Lesbos após longa espera
Após mais de sete anos em um limbo jurídico, um tribunal grego absolveu duas dezenas de trabalhadores humanitários de acusações de tráfico de migrantes. O julgamento, que se arrastava desde 2016, visava indivíduos acusados de auxiliar na chegada de migrantes à ilha de Lesbos, que em 2015 se tornou um dos principais portos de entrada para a Europa durante o auge da crise migratória.
A decisão foi recebida com aplausos na sala de audiências, marcada por depoimentos emocionantes dos acusados, que relataram o impacto psicológico, financeiro e emocional do longo processo em suas vidas. Wies de Graeve, diretor executivo da Anistia Internacional na Bélgica, presente no tribunal, descreveu o veredito como “agridoce”, destacando o alívio dos absolvidos, mas também a “desolação” das experiências vividas.
Um voluntário relata o trabalho de salvamento
Entre os absolvidos está Seán Binder, um cidadão germano-irlandês que se juntou ao Emergency Rescue Centre International (ERCI) em Lesbos em 2017. Binder atuava em atividades de busca e salvamento, monitorando a costa turca em busca de embarcações em perigo. Ele descreveu o trabalho como uma vigilância constante, atenta a pedidos de socorro e gritos, e mantinha comunicação regular com a guarda costeira.
“É um grande alívio não passar os próximos 20 anos numa cela de prisão, mas, ao mesmo tempo, é preocupante que esta possibilidade tenha existido”, declarou Binder após a absolvição. Ele reforçou que “prestar assistência humanitária que salva vidas é uma obrigação, não um crime”. Seu trabalho, assim como o de outros voluntários, foi interrompido com prisões em 2018.
Reações e o contexto da política migratória europeia
Grupos de defesa dos direitos humanos criticaram o julgamento, classificando-o como “infundado” desde o início e um reflexo de uma tendência mais ampla na Europa de criminalizar a ajuda a migrantes e refugiados. Segundo a ONG PICUM, cerca de 124 pessoas enfrentaram processos judiciais semelhantes em toda a Europa em 2024. A Anistia Internacional instou a União Europeia a “introduzir salvaguardas mais fortes contra a criminalização da assistência humanitária”.
A Grécia tem registrado um aumento recente nas chegadas de migrantes, especialmente em Creta e Gavdos, provenientes do Norte da África. Dados oficiais indicam uma diminuição nas passagens ilegais de fronteira em 2025 em comparação com o ano anterior, mas a questão migratória continua a ser um ponto sensível nas políticas europeias, com líderes adotando posições mais rigorosas para conter as chegadas.
Fonte: pt.euronews.com


