A semente de um idealista
As memórias de infância de Marco Rubio, passadas na varanda da casa de seu avô em Miami, eram povoadas por histórias de heróis cubanos e pela dura realidade do regime comunista que sua família deixara para trás. Naquele cenário, entre a fumaça do charuto e os relatos de lutas pela liberdade, o jovem Rubio já se via parte de um destino grandioso: liderar um exército de exilados para derrubar Fidel Castro e, um dia, governar uma Cuba livre. Essa bravata infantil, como aponta a CNN, ecoa de forma surpreendente na política externa americana atual, com Rubio desempenhando um papel crucial na operação que levou à captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro, aliado de longa data de Cuba.
Miami e o DNA do exílio
Filho de imigrantes cubanos, Rubio cresceu imerso na vibrante comunidade de exilados em Miami. Essa vivência moldou profundamente sua visão de mundo e sua carreira política. Em um sul da Flórida onde a política do exílio é onipresente, a expectativa é que políticos compartilhem visões para uma Cuba pós-comunista. Como explica o ex-deputado Carlos Curbelo, essa identidade se tornou intrínseca ao DNA de Rubio. A história de sua família, com um avô que idolatrava Ronald Reagan e detestava John F. Kennedy pela Baía dos Porcos, solidificou o anticomunismo como um pilar de sua formação política.
Ascensão política e o foco na Venezuela
A ascensão de Rubio na política americana foi paralela ao declínio da Venezuela sob o governo de Hugo Chávez e, posteriormente, Nicolás Maduro. A eleição de Chávez em 1998, que alarmou a comunidade de exilados cubanos, marcou um ponto de virada. Enquanto Rubio progredia na legislatura da Flórida e, posteriormente, no Senado, a crise venezuelana ganhava contornos cada vez mais sombrios, com um êxodo massivo de cidadãos buscando refúgio, muitos deles no sul da Flórida. Rubio se tornou uma voz proeminente na denúncia do regime de Maduro, coassinando legislação de sanções e discursando veementemente contra as violações de direitos humanos.
Um jogo de longo prazo e a nova era da política externa
Apesar de uma campanha presidencial em 2016 que não o levou à Casa Branca, Rubio consolidou sua posição como um dos principais formuladores da política externa americana em relação à América Latina. Sua atuação o transformou em um interlocutor chave para o governo Trump, especialmente no que diz respeito à Venezuela. Mesmo com a instabilidade política e a saída de Trump do poder, Rubio manteve sua influência, apostando na sua proximidade com o ex-presidente e sua capacidade de adaptação. A recente captura de Maduro, orquestrada em grande parte com o apoio de Rubio, sinaliza uma nova e ousada era na política externa americana, que abala aliados e lança o Hemisfério Ocidental em um novo cenário de incertezas, com muitos na comunidade cubana de Miami acreditando que Cuba será o próximo país a experimentar uma mudança de regime.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


