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Acordo Mercosul-UE: Agronegócio e Indústria são os Grandes Vencedores, Mas Benefícios Levarão Tempo para Chegar às Prateleiras

Oportunidades e Obstáculos no Novo Tratado Comercial

O tão aguardado acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia foi finalmente destravado, com a ratificação no Conselho Europeu. Especialistas ouvidos pela CNN Brasil indicam que os setores de agronegócio e indústria emergiram como os principais beneficiados deste tratado, que vinha sendo negociado há 26 anos. Contudo, a euforia inicial é moderada pela perspectiva de que os benefícios tangíveis demorem a se materializar, possivelmente a partir de 2026 ou 2027, e sob a influência de mecanismos de proteção agrícola europeus.

A ratificação pelo Conselho Europeu, após a Itália viabilizar a formação de maioria, representa um marco significativo. No entanto, a jornada do acordo ainda exige aprovação interna em cada país membro. No Brasil, o texto passará por revisão jurídica e análise do Congresso Nacional. Na União Europeia, o processo pode seguir diretamente para o Parlamento Europeu, dependendo da natureza da submissão do acordo.

Agronegócio Brasileiro em Destaque, com Atenção às Salvaguardas Europeias

O agronegócio brasileiro, especialmente em produtos como soja, café, carnes, pescados e celulose, é apontado como um dos grandes ganhadores. A competitividade desses setores é tão acentuada que gera resistência entre produtores europeus, particularmente na França. Para mitigar essa preocupação, a União Europeia implementou mecanismos de salvaguarda, que visam controlar um eventual aumento expressivo das importações agrícolas do Mercosul. Josemar Franco, gerente de comércio internacional da BMJ, explica que essas salvaguardas são uma resposta direta à preocupação europeia com a competitividade do agro sul-americano.

Apesar dessas travas, o acordo pode ser implementado bilateralmente entre Brasil e União Europeia, agilizando os ganhos para os exportadores brasileiros sem depender do ritmo dos demais parceiros do Mercosul. Roberto Uebel, professor de Relações Internacionais da ESPM, prevê que setores de alimentos do bloco sul-americano se tornarão mais competitivos frente aos produtos europeus, com impactos visíveis nas prateleiras a partir de 2027.

Indústria Brasileira Busca Renovação e Expansão com o Tratado

Além do agronegócio, a indústria brasileira também vislumbra um futuro promissor com o acordo. Graziano Messana, vice-presidente da Eurochambers Brazil, destaca que os benefícios se estendem a setores como o farmacêutico, de tecnologia e, principalmente, de equipamentos industriais. A expectativa é que a importação de maquinários e tecnologias europeias impulsione a renovação do parque industrial brasileiro, alterando positivamente a balança comercial do país. Empresas europeias já oferecem soluções avançadas, como nanoirrigação e agricultura de precisão, que podem aumentar a eficiência do campo brasileiro.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) enxergam o acordo como um passo crucial para a inserção internacional do Brasil e o fortalecimento da indústria nacional. A CNI ressalta o aumento da previsibilidade regulatória e a redução de barreiras como fatores que impulsionarão investimentos bilaterais. A Fiesp antecipa uma mudança substancial nas relações comerciais, de importação, exportação e investimento entre as regiões.

Potencial Econômico e o Caminho para a Implementação

O mercado formado pelo Mercosul e União Europeia abrange mais de 700 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de aproximadamente US$ 22 trilhões. Segundo estimativas da ApexBrasil, o acordo pode gerar um aumento de cerca de US$ 7 bilhões nas exportações brasileiras e promover uma maior diversificação da pauta exportadora, com destaque para a indústria de transformação, que já representa mais de um terço das vendas do Brasil para a UE.

Apesar do otimismo, o acordo ainda enfrenta um caminho a ser percorrido. A expectativa de entrada em vigor em 2026, mencionada pelo vice-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, depende da conclusão dos processos de ratificação interna. A complexidade e a duração desses trâmites, somadas às salvaguardas, indicam que os efeitos mais profundos do tratado só serão plenamente sentidos na próxima década.

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