Belém Sofre com Calor Extremo: 212 Dias de Temperaturas Recordes em 2024 Afetam Rotina e Saúde dos Moradores
Capital paraense registra mais dias de calor extremo que todas as outras capitais brasileiras combinadas, evidenciando desigualdades climáticas e impactos na qualidade de vida.
Belém, a capital paraense, tem enfrentado um desafio crescente em 2024: o calor extremo. A cidade registrou 212 dias com temperaturas máximas que superaram todos os recordes anteriores, um número alarmante que a coloca como a capital brasileira com mais episódios desse tipo, de acordo com dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
Desigualdade Climática: Um Calor que Varia por Rua
A experiência do calor em Belém não é uniforme. A desigualdade climática da cidade se manifesta de forma gritante entre bairros. Enquanto áreas centrais desfrutam de arborização e sombra, regiões periféricas sofrem com a ausência de áreas verdes e o asfalto exposto. No bairro do Jurunas, adolescentes como Ronald Monteiro, de 15 anos, relatam dificuldades em realizar tarefas básicas e até mesmo em dormir devido ao calor intenso, que compromete suas atividades diárias e rendimento escolar.
Números Alarmantes: Mais Calor Extremo Nesta Década do que em Décadas Anteriores
Os dados do Cemaden revelam a magnitude do problema: Belém atingiu temperaturas de até 37,3°C em 2024. Um levantamento da Universidade Federal do Pará, com base em dados do Inmet, aponta que a capital já registrou 164 dias acima de 35,5°C somente nesta década. Isso significa que, em apenas quatro anos, Belém vivenciou mais dias de calor extremo do que nas seis décadas anteriores somadas, um indicativo preocupante das mudanças climáticas em curso.
Perda de Vegetação e Impacto na Juventude
Especialistas associam o aumento das temperaturas à significativa perda de cobertura vegetal em Belém. Entre 1985 e 2023, a cidade perdeu cerca de 20% de sua área florestal, segundo um estudo da Universidade Federal do Pará. Essa redução afeta o equilíbrio térmico urbano, pois as árvores desempenham um papel crucial na regulação da temperatura e umidade. Crianças e adolescentes, como João Victor da Silva, de 16 anos, morador de Outeiro, são especialmente vulneráveis, com o calor impactando os horários escolares e a prática de atividades físicas. João, conhecido como João do Clima, relaciona a crise climática às desigualdades sociais, ressaltando que os efeitos do calor extremo são mais severos para quem vive em áreas mais distantes do centro.
Crise do Açaí e Noites Sem Descanso
O calor extremo também afeta a economia local, com a produção e qualidade do açaí sendo prejudicadas. Ronald percebeu uma piora na qualidade da fruta, com frutos menores e mais ressecados. Em 2025, Belém enfrentou uma crise de abastecimento e preços recordes do açaí. Além dos impactos diurnos, as noites quentes em Belém comprometem o descanso. Especialistas alertam que a dificuldade em reduzir a temperatura corporal para dormir pode levar a problemas de saúde física e mental a longo prazo. Jovens como Ronald e João clamam por atenção, pois o calor extremo não é apenas um dado estatístico, mas uma realidade que molda seus corpos, estudos, renda e planos para o futuro, demandando soluções urgentes como pavimentação ecológica, educação ambiental e ampliação do plantio de árvores.


