Brasil se manifestará contra intervenção dos EUA na Venezuela
O Brasil se prepara para reforçar seu discurso crítico à operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela. A manifestação ocorrerá durante a reunião do Conselho de Segurança da ONU, agendada para esta segunda-feira (5). O embaixador Sérgio Danese, representante brasileiro na organização, deve ecoar a posição expressa pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último sábado (3). Lula classificou a ação americana como uma “afronta gravíssima” e uma “linha inaceitável” ultrapassada.
Colômbia solicita reunião emergencial do Conselho de Segurança
A convocação da reunião do Conselho de Segurança da ONU atende a um pedido da Colômbia, que reagiu à incursão militar dos EUA em território venezuelano. A operação culminou na detenção de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Maduro tem audiência marcada em um tribunal de Nova York nesta segunda-feira. A União Europeia também se pronunciou, pedindo “respeito à vontade do povo venezuelano”, enquanto Donald Trump sugeriu que o vice de Maduro poderia enfrentar consequências ainda maiores.
Como funciona o Conselho de Segurança da ONU
O Conselho de Segurança é composto por cinco membros permanentes (China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos) e dez membros eleitos para mandatos de dois anos. A Colômbia atualmente representa a América do Sul no órgão. Embora o Brasil não seja membro permanente, países como o nosso têm o direito de participar das reuniões e solicitar a palavra, mas sem poder de voto. Esta será a terceira vez que o Conselho discute a situação venezuelana, com encontros anteriores em outubro e dezembro do ano passado.
Operação de captura de Maduro
A ação militar para capturar Nicolás Maduro teve início na madrugada de sábado (3), com relatos de explosões e fumaça em Caracas e em outros estados venezuelanos. A operação, liderada pela Força Delta, unidade de elite do Exército dos EUA, durou cerca de 90 minutos. Após a captura, Maduro e Cilia Flores foram levados de helicóptero para o navio militar USS Iwo Jima e, posteriormente, transportados para os Estados Unidos. O líder venezuelano foi detido no Centro de Detenção Metropolitano, no Brooklyn, em Nova York.
Acusações e próximos passos legais
A acusação apresentada pelo Departamento de Justiça dos EUA alega que Maduro e seus aliados utilizaram as instituições venezuelanas como um esquema de corrupção financiado pelo narcotráfico. Nicolás Maduro deve comparecer pela primeira vez a um tribunal em Nova York às 14h desta segunda-feira (horário de Brasília). Em pronunciamento, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos assumiriam o governo da Venezuela após a captura de Maduro.
Posicionamento do Brasil e divergências na Celac
No domingo (4), Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha emitiram uma nota conjunta defendendo uma solução para a Venezuela sem “ingerência externa” e expressando preocupação com qualquer tentativa de “controle governamental”. A declaração ocorreu antes de uma reunião virtual da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) para debater a situação. Fontes do governo brasileiro indicaram à CNN que a falta de um posicionamento público do bloco expõe divergências políticas entre os países membros. Durante a reunião da Celac, o chanceler brasileiro Mauro Vieira reiterou a posição contra a captura de Maduro e a ação militar dos EUA.


