GNR barricado em posto da Guarda se recusa a ir para prisão
Um GNR condenado a 13 anos de prisão por liderar um esquema de burlas contra idosos, que lesou vítimas em mais de 400 mil euros, barricou-se no posto da Guarda Nacional Republicana (GNR) de Felgueiras por mais de 16 horas. Sérgio Ribeiro, de 34 anos, tomou a atitude extrema para evitar ser detido e levado para a prisão de Tomar, onde deveria cumprir a pena confirmada por instigação de burla qualificada e branqueamento de capitais.
Esquema familiar e vida de luxo
O esquema criminoso, que se estendeu por anos, era liderado pela família de Sérgio Ribeiro. O pai do GNR foi condenado a 10 anos de prisão por crimes semelhantes, enquanto a mãe e a esposa de Sérgio também receberam penas suspensas por participação no esquema. O Ministério Público descreveu o pai como um homem de boa reputação na sua comunidade, que explorava a confiança de idosos para pedir dinheiro emprestado sob falsos pretextos de urgência. O dinheiro angariado permitiu à família manter um estilo de vida luxuoso.
Condenação confirmada e apelo negado
A condenação de Sérgio Ribeiro, inicialmente proferida pelo Tribunal de Guimarães em novembro de 2022, foi confirmada em junho de 2024 pelo Tribunal da Relação de Guimarães e, posteriormente, pelo Supremo Tribunal de Justiça em março de 2025. O GNR, que também foi proibido de exercer funções na força por cinco anos, alegou aos negociadores que desejava ver a filha de quatro anos antes de ser detido, mas voltou atrás na decisão. Atualmente, aguarda uma resposta a um requerimento do seu advogado para suspender a execução dos mandados de detenção, afirmando não aceitar ir para a cadeia e sentir-se “enganado pela justiça”.
Trauma e desconfiança na justiça
A situação gerou grande comoção e apreensão na região, com a polícia a negociar a rendição de Sérgio Ribeiro. O caso levanta questões sobre a confiança no sistema judicial e as medidas de apoio às vítimas de crimes como burlas, que frequentemente afetam as populações mais vulneráveis. A resistência do GNR em cumprir a pena sublinha a gravidade da situação e o impacto emocional e financeiro causado às vítimas e suas famílias.


