Fotos Nuas de Calouros em Universidades de Elite: A Bizarra Prática Eugênica que Marcou o Início do Século XX nos EUA
Harvard, Yale e outras instituições coletaram imagens de estudantes como parte de supostas ‘avaliações de postura’, ligadas a teorias pseudocientíficas de eugenia e somatotipos.
No início do século 20, algumas das mais prestigiadas universidades americanas, como Harvard e Yale, adotaram uma prática peculiar e hoje considerada chocante: a fotografia de seus calouros completamente nus. O procedimento, iniciado por volta de 1910, envolvia a medição detalhada de cada estudante e a coleta de informações sobre seu histórico de saúde, tudo com o pretexto de realizar uma “checagem de postura”. A estranha rotina, que expôs figuras públicas e celebridades, tinha raízes profundas na controversa ciência da eugenia.
A Busca pela ‘Postura Ideal’ e a Eugenia no Campus
A ideia por trás dessas fotografias era que uma boa postura era um indicativo de virtude e qualidade social. Naquela época, a eugenia era ensinada como ciência em muitas faculdades americanas, promovendo a crença de que características físicas poderiam determinar o valor de um indivíduo e sua aptidão para a reprodução. O Escritório de Registros Eugênicos (Eugenics Record Office) coletava dados de cidadãos para identificar traços desejáveis e classificar outros como “degenerados”. As fotos nuas eram apenas mais uma ferramenta para avaliar e categorizar os estudantes dentro desse paradigma.
O processo podia ser invasivo. Relatos descrevem estudantes sendo levados a salas sem janelas, instruídos a se despir e, em alguns casos, tendo hastes metálicas fixadas em suas costas com adesivos para melhor avaliar a curvatura da coluna. Mulheres frequentemente eram fotografadas e medidas com mais frequência do que homens, sob a justificativa de que seu uso de espartilhos prejudicava a postura.
Figuras Públicas e o Legado de William Herbert Sheldon
A prática foi tão disseminada que muitos nomes proeminentes da história americana passaram por ela. Presidentes como Franklin Roosevelt, John F. Kennedy e George H.W. Bush, além de celebridades como a atriz Meryl Streep e as escritoras Sylvia Plath e Nora Ephron, foram submetidos a essas fotografias durante seus anos de formação universitária. O objetivo eugênico era explícito para alguns acadêmicos da época, que viam nessas imagens um meio de promover a “melhor reprodução” entre estudantes considerados ideais.
Na década de 1940, o psicólogo e eugenista William Herbert Sheldon obteve acesso a dezenas de milhares dessas imagens, coletadas sem o consentimento dos estudantes, para desenvolver suas teorias sobre “somatotipos”. Sheldon classificou as pessoas em três perfis físicos – endomorfos, mesomorfos e ectomorfos – e tentou correlacioná-los a tipos de personalidade. Essa abordagem, conhecida como “psicologia constitucional”, tornou-se popular, e Sheldon publicou o influente (e controverso) “Atlas of Men” em 1954, utilizando muitas dessas fotografias.
O Declínio e o Fim de uma Prática Aberrante
A ascensão de Hitler e sua associação com a eugenia levaram a uma desvalorização da prática nos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial. No entanto, as fotografias de postura persistiram por décadas. O fim da coleta de imagens foi acelerado na década de 1950, quando Sheldon tentou expandir sua pesquisa para incluir mulheres. Uma reclamação legal em Seattle levou à apreensão e destruição de suas fotografias femininas, levantando um debate sobre a legitimidade científica versus a exploração.
Nas décadas de 1960 e 1970, as universidades começaram a abandonar gradualmente a prática. Muitos acervos foram destruídos. O vasto arquivo pessoal de Sheldon, no entanto, permaneceu com ele até sua morte em 1977. Tentativas de devolver as fotos às universidades foram rejeitadas, com muitas instituições optando por destruir seu próprio material. O Instituto Smithsonian chegou a receber o acervo de Sheldon, tornando-o acessível a pesquisadores. Contudo, após a polêmica gerada por uma reportagem do The New York Times em 1995, todas as fotografias foram finalmente destruídas.
Hoje, a pesquisa de Sheldon é amplamente desacreditada. Faltava rigor científico, ignorava fatores ambientais e culturais, e apresentava inconsistências e subjetividade. Embora o conceito de somatotipos ainda seja discutido na área de fitness, a correlação direta com a personalidade foi refutada. A história das fotografias nuas de calouros serve como um sombrio lembrete do lado sombrio da ciência e da influência da eugenia em instituições acadêmicas.


